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sábado, 29 de dezembro de 2018

NANDO DA COSTA LIMA - CONTO

Enigma
Nando da Costa Lima
Teve até casamento desfeito e várias separações só por causa dos laços familiares...
A briga entre os Silva da Silva e os Pranchão era a vergonha da cidade, tudo por causa de política. Eles já foram do mesmo partido, mas depois da história do banquete... Foi aquele banquete que separou as duas famílias que se suportaram por vários anos. Tem gente que fala que o lugar só não desenvolveu por causa da teimosia dos dois lados. Um conseguia uma verba, o outro ia lá e derrubava, era aquela velha politicagem de pé de moita.
O coroné Marculino Pranchão, em passeio por Conquista, escutou pelo serviço de alto-falantes do Milagroso que Getúlio ia passar pela região... O coroné voltou pro seu vilarejo no mesmo dia, se o “Home” (presidente) passasse por ali, com certeza passaria por sua casa. É aí que entra o banquete, preparado por um cozinheiro de Salvador. Só o bode que o coroné resolveu assar inteiro no rolete, e fez questão de ele mesmo assar. Queria caprichar, não era todo dia que aparecia um presidente. Deputado não, estes sempre quando apareciam era só matar uma dúzia de galinhas pra comitiva, tava tudo resolvido. 
O banquete foi preparado com capricho, só que o presidente não passou nem por Conquista. Marculino ficou retado e mandou enterrar o bode inteiro, uma iguaria preparada para um presidente não podia ser consumida por gente comum. Foi aí que a oposição caiu matando: “Se enterrou o bode inteiro, é porque o bicho tava envenenado”. Desse dia em diante os Pranchão não tiveram sossego, e o bode virou uma lenda. Os contra falaram que nem andu nasceu onde o banquete foi enterrado. Já outros dizem que viram um bodão de dois metros e com olhos vermelhos... Só quem via essa aparição era os Silva da Silva e os bêbados da cidade. Foram essas crendices que fizeram o coroné enfartar mais de uma vez, nunca tinha passado tanta raiva na vida. Não podia botar o pé na rua, onde entrava via gente comentando sobre o bode. O velho ficou tão encabulado com o fato que acabou morrendo como “envenenador de banquete”, pra você ver até onde vai a ignorância. Até hoje, ninguém aceita um convite para comer na casa de algum Pranchão, e em tempo de “política de bate-boca”, a rivalidade supera tudo. É só ter uma eleição que os Silva da Silva aparecem com o couro de um bode em cima do palanque, e antes de todo comício o locutor conta a história do bode recheado com veneno...
A família Pranchão garante que os dois quilos de veneno pra rato que o coroné comprou na véspera de assar o bode foram usados na chácara que rodeava a casa dele, tava empestiada de ratos.
Na realidade, até hoje ninguém conseguiu provar se o bode tava ou não recheado com veneno... A dúvida cresceu ainda mais depois que um historiador descobriu e revelou que na casa do coroné Marculino Pranchão, nunca teve chácara.

sexta-feira, 28 de dezembro de 2018

domingo, 23 de dezembro de 2018

NANDO DA COSTA LIMA - CONTO

Aleluia irmão !!! (Ficção)

Nando da Costa Lima
A jovem de olhos puxados e cabelos pretos, mesmo estando maltratada não escondia a beleza. Ela entrou no escritório do pastor Joseval tremendo mais que vara verde, o pastor examinou de cima a baixo, colocou a mão na testa de Luzia, e ao relacionar os olhos puxados com a amarelidão que ela se encontrava, perguntou pensando que tinha acertado na mosca: “A senhora é oriental?”. Luzia olhou pro pastor e respondeu com a voz ainda trêmula: “Não senhor, eu estou amarela assim devido a uma hepatite contagiosa que não teve doutor que desse jeito, vim aqui pro senhor me curar”. O pastor empurrou Luzia pra trás e já entrou pro outro cômodo esculhambando a secretária por ter deixado aquilo acontecer. Não adiantou limpar o corpo com álcool nem tomar banho de sal grosso (escondido dos fiéis) receitado por Pai Nozão. A hepatite o tirou do ar por seis meses.
Quando o pastor Joseval voltou à ativa, a igreja tava jogada pras moscas, tirando os parentes e as doze secretárias do pastor, só tinha Olegário Babão que não perdia um culto só porque era apaixonado por uma das ajudantes do pastor. Passaram-se quinze dias e a situação da igreja permanecia a mesma, o jeito era arquitetar um bom plano para conseguir o retorno dos fiéis ao templo, o dinheiro dos dízimos já estava fazendo falta. Nem o champanhe do jantar o pastor Joseval estava podendo tomar, tinha que ser um vinhozinho português qualquer! O plano da retomada dos fiéis surgiu de uma hora pra outra, só estava faltando um homem pra ajudar na encenação. Olegário Babão se prontificou a ajudar só pra ficar perto da secretária. A coisa era simples: o pastor armava uma pregação em praça pública e quando estivesse no meio do sermão aparecia Olegário e agredia uma das secretárias dizendo estar possuído pelo demônio. O pastor pegava uma Bíblia com capa de madeira e dava uma surra em Babão para espantar o diabo, depois da surra Babão se ajoelhava aos pés do pastor e aos berros agradecia a libertação… Foi tão simples que eles repetiram várias vezes, Olegário andava todo quebrado de tanto apanhar do pastor na frente dos fiéis que agora lotavam a igreja, teve um dia que o pastor deu uma surra com tanto entusiasmo que o coitado foi parar no hospital. Teve outra vez que a capa da Bíblia pegou no olho de Olegário e cegou na hora. O pastor livrou a cara perante os fiéis explicando que aquele olho já estava dominado pelo capeta, tinha que ser furado com uma ferramenta divina, explicou com tanta certeza que até Olegário que tinha ficado “doca” concordou. Mas concordou retado da vida!
       O tempo foi passando e Olegário a cada dia aumentava sua raiva pelo pastor, aquilo não tava certo, já tinha três anos que todo sábado ele apanhava em público, tinha virado saco de pancadas por causa de uma mulher que nem pra ele olhava… Foi este desespero que levou Olegário de encontro ao álcool, ele que nunca tinha bebido secou dois botecos que encontrou pela frente, e a cachaça o deixou ainda mais irado, o pastor não saía de sua cabeça, aquele sacana tinha de pagar aquelas surras de qualquer jeito. Olegário chegou na igreja faltando meia hora pra hora da surra, o pastor já estava preocupado! Nem notou o estado de Babão… E na hora que o pastor deu sinal pra começar a seção de exorcismo, Olegário Babão já pulou na frente do pastor xingando tudo que é nome feio, o pastor não sentiu o bafo de pinga e pensando que era encenação partiu pra cima do possuído com a Bíblia pronta pra expulsar o “demo”. Olegário tomou a Bíblia e deu uma surra tão violenta no pastor que quase mata, e a cada cacetada que dava gritava pros fiéis: “Este homem é o demônio disfarçado de pastor, e eu fui enviado para desmascará-lo!”. Os fiéis botaram fé e acabaram de quebrar o pastor no pau… Foi o fim do pastor Joseval, o caridoso! Quanto a igreja, esta vai muito bem, já abriu até outro templo depois que Babão (Hoje pastor Olegário Babão) botou o diabo disfarçado de pastor pra ir pregar no “quinto dos infernos”… Aleluia irmão!!!

sexta-feira, 21 de dezembro de 2018

JEREMIAS MACÁRIO - HISTÓRIA

   CURIOSIDADES DO MUNDO GREGO
    SUAS FILOSOFIAS E SABEDORIAS (parte XIX)
    FILIPE E DEMÓSTENES

Jeremias Macário
Quando Filipe subiu ao trono em 338 a.C.,a maior parte dos gregos
    desconheciam a Macedônia. Ainda menino, Filipe foi estudar em Tebas
    onde fez amizade com Epaminondas. Quando voltou a Pela (Macedônia)
    foi considerado sábio pelos pastores. Briguento e corpulento, conseguiu
    unificar a região e ser reconhecida pelo resto da Grécia.
      De maneira rude, sabia mentir como o mais descarado hipócrita, sem
    escrúpulos. Em pouco tempo, levantou o mais formidável instrumento de
    guerra, a falange de dez mil homens e se apoderou de vários distritos de
    Atenas. Por questões de dinheiro, atenienses e espartanos se uniram contra
    a liga da Beócia e da Tessália. Derrotada, recorreu a Filipe.
    Atenas acordou para a situação e recorreu à oratória de Demóstenes para despertar os cidadãos para o perigo que era a Macedônia. Dizem que ele era gago, mas se aperfeiçoou na fala usando pedrinhas na boca e declamava correndo morro. Muitas vezes se fechava numa caverna, barbeando só a metade do rosto, para vencer a tentação de sair.
       Não precisando de dinheiro, dedicou-se a processos célebres, em defesa de clientes de alta classe, entre os quais a liberdade. Acusaram de defender a liberdade  de  Atenas contra   Filipe   para   vendê-la  aos   persas,   que   lhe pagavam bem.
    ALEXANDRE –   Filipe  colocou   em  liberdade   os   dois   mil  prisioneiros capturados e mandou para Atenas como mensageiro, seu filho Alexandre, de dezoito anos, que se cobrira de glória como general de cavalaria. Sua  mãe   Olímpia   vivia   nos   mais   desenfreados   ritos   dionisíacos.   Uma   vez, Filipe encontrou-a dormindo, na cama, ao lado de uma serpente. Disse que na serpente   se   encarnava   o   deus   Zeus-Amon,   o   verdadeiro   pai de Alexandre.
     O primeiro mestre de Alexandre foi Leônidas para os músculos, Lisímaco para a Literatura e Aristóteles para a filosofia. O aluno era belo, atleta, cheio de entusiasmo e candura. Decorou a Ilíada. Muito orgulhoso como pai, certo dia Filipe disse: Meu filho, a Macedônia é muito pequena para ti.
    Uma vez, encontrou um leão e enfrentou armado só de punhal. Alexandre tinha um fraco por Atenas e, durante sua invasão, anistiou a todos. Tinha um dever para com ela quando ali estudou filosofia e literatura. Mais tarde, guerreando na Ásia, mandava os tesouros de arte para que ornassem a Acrópole de Atenas.

quarta-feira, 19 de dezembro de 2018

RICARDO DE BENEDICTIS - POESIA

MEU TEMPO!

O meu tempo que termina...
Sinal fechado na esquina
Como símbolo da dor...
Mas eu que não estou doente
Transbordo de amor ardente
Num passado já sem cor!

O meu tempo que termina...
Sinal fechado na esquina
No final do corredor...
E eu que não sou descrente
Vou plantando mais sementes
De alegria, paz e amor!

O meu tempo que termina...
Sinal verde numa esquina
Liberando meu caminho...
Cumprida minha missão
Pautado pela razão
Sigo em busca do meu ninho!

BIG BEN - CRÔNICA

Estranho Homem
BIG BEN
Há cerca de 2018 anos surgiu no planeta Terra um "estranho homem" que possuía poderes e habilidades muito além das conhecidas pelos "homens mortais". Desde seu nascimento até sua morte, "estranhos acontecimentos" permearam toda a sua vida e obra. A sua progenitora o concebeu "estranhamente", se mantendo virgem, ou seja, sem relação sexual. O seu nascimento foi anunciado por uma "estranha estrela" que teimava em riscar o céu ( como um farol obstinado ), indicando o local exato onde se encontrava o "estranho menino". A sua "estranha história" começou de fato por volta dos 30 anos de idade. Antes disso,  sabe-se muito pouco sobre ele. Tudo isso era no mínimo muito estranho!

Muitas "coisas estranhas" já foram ditas a respeito desse "estranho homem". Alguns disseram que ele multiplicou pães e peixes, que andou sobre as águas, que transformou água em vinho, que tinha habilidades excepcionais de cura, que  ressuscitou um morto que jazia no sepulcro há quatro dias, que sua pregação era mais poderosa do que o raio de sol, que venceu até a própria morte e ressuscitou ao terceiro dia. Outros, no entanto, disseram que ele era um "estranho no ninho", amigo de prostitutas e pecadores. Percebeu? Tudo em relação a este "estranho homem" gerou estranheza.

Ele possuía um "estranho magnetismo" que atraía multidões, despertava nos corações dos homens  sentimentos raros de compaixão e altruismo. O seu propósito audacioso de envergar a bandeira do amor ao invés da bandeira do ódio, também, foi considerado "estranho" por boa parte de seu povo. Esse "estranho homem" nunca foi indiferente a todas as mazelas que afligiam os seus semelhantes.

No seu "estranho jeito de amar"( amar de forma incondicional não esperando nada em troca), o amor estava sempre em primeiro lugar. Esse "estranho jeito de amar" lhe causou muitos problemas! Numa época de "olho por olho, dente por dente", do "Messias guerreiro", época em que o poder falava mais alto, essa "estranheza amorosa" não soou muito bem aos ouvidos dos homens de pouca fé.

É óbvio que quando esse "estranho homem" alegou ser o filho de Deus, o  homem que veio ao mundo com poder de grande glória para revelar a misericórdia do Senhor e resgatar a humanidade, as coisas mudaram de tom. Passaram a perguntar: Quem é esse estranho homem? Quem é esse estranho infante? Quem é esse estranho infame? O tempo passou! Impérios caíram! Mares viraram desertos!  Matas viraram cinzas! Os muros do velho castelo transformaram-se em pó! E esse "estranho homem" veio a tornar-se o centro da história da humanidade!

"Estranho homem" duas mil e dezoito vezes obrigado por você ter nos ensinado essa "estranha forma de amar" que transformou o nosso "estranho mundo" em um lugar renovado pela força avassaladora do amor incondicional, puro, limpo e desinteressado.

terça-feira, 18 de dezembro de 2018

RICARDO DE BENEDICTIS - ARTIGO

O CASO CESARE BATTISTI
Ricardo De Benedictis
Um artigo que escrevi nos idos de 2009 e que continua na pauta do Brasil e do mundo, em 2018!!!Preocupa-nos a escalada de senadores do PT na Tribuna do Senado para defender as pretensões do celerado italiano Cesare Battisti em viver no Brasil como ‘Refugiado Político’.
Em quase todas as sessões do Senado, o senador Eduardo Suplicy assume a tribuna para fazer apologia ao crime, tentando defender o indefensável. Com mentiras e mentiras, tão ao gosto do seu partido, apesar da oratória claudicante, mesmo quando lê pateticamente as ‘cartas’ que o bandido italiano lhe envia, garante que ‘falou pelo telefone com o Ministro Gilmar Mendes, presidente do Supremo Tribunal Federal a quem estaria enviando cópia da carta, na qual Battisti se diz inocente, vítima do governo da Itália - e ainda mais, que não há uma testemunha ocular dos fatos em seus processos’. Ora, senhores, num dos seus crimes hediondos, praticados contra vítimas indefesas, esse assassino matou a tiros o pai e atirou também no filho que a tudo assistia. Julgando-os mortos, fugiu. Só que  o filho do açougueiro assassinado por Battisti, apesar de gravemente ferido, salvou-se e é testemunha ocular de um dos quatro crimes de morte, de cima da cadeira de rodas que usará até a morte, como paraplégico que ficou, graças aos tiros que levou do bandido Battisti.
Os senadores independentes devem debruçar-se sobre este perigoso precedente e não aceitar as mentiras apregoadas pelos escribas do PT e que são quase diariamente repetidas na tribuna do Senado, onde repousam olhos e ouvidos da nação, através da TV Senado.
Se desejam abrir as portas do Brasil para criminosos condenados em seus países, a revista IstoÉ vem com uma matéria sobre o assunto, apresentando outro criminoso italiano que era da extrema direita – Pierluigi Bragaglia, acusado de assassinato e crimes políticos. Vem aí mais um imbróglio para a mídia e para o PT.
Já não bastam o narcotráfico, o tráfico de armas, as facções que vivem nos presídios e de lá, comandam o crime em nosso país. Acham pouco os mais de 300 mil encarcerados neste país, à custa dos impostos pagos pelos cidadãos e querem importar mais cérebros do crime? Por que não se empenham com a mesma garra para trazer alguns cientistas para o nosso país? As respostas não estão na ordem do dia. O que anda na pauta do senado é Cesare Battisti. E vamos ver onde vai chegar toda essa insensatez.
Os brasileiros ficaram estarrecidos com a manobra que Tarso Genro, ministro da Justiça empreendeu para aceitar o bandido italiano como REFUGIADO. Vejam, senhores. O celerado agora é refugiado e pode viver nababescamente no Brasil. No último dia do seu mandato, o presidente Lula negou a extradição decretada pelo Supremo, por tratar-se de ato privativo do todo poderoso presidente da República. E os tratados internacionais que vão às favas. A comuna internacional pediu, Lula fez. Uma vergonha, que o Brasil terá que conviver ora por diante. O celerado diz que vai lançar livro, vamos ver se a Lei de incentivo à Cultura irá financiar. E vamos que vamos!
COMPLEMENTO:
O presidente Temer decretou a extradição de Battisti na última sexta (14 de dezembro de 2018), ao apagar das luzes do seu governo, uma vez que o poresidente eleito, Jair Messias Bolsonaro havia dito em campanha que faria a extradição do bandido italiano que por falar nisso, havia sido preso em outubro ao tentar sair do Brasil com cerca de 30 mil reais em dólares e euros. Alguns dizem que iria buscar armas e drogas na Bolívia. Não podemos afirmar. Preso, foi logo solto sob limionar de Luiz Fux. Quanto trabalho este canalha tem dado à nossa briosa Polícia Federal e quanta despesa ao Estado Brasileiro. Por que, gente? - Ele é 'cumpanhêro' da petezada. Basta isso. Agora queremos aguardar o desenlace. Não vai ser fácil prendê-lo, pois tem muita gente interessada em escondê-lo. Mas um dia ele cai. Vamos torcer!

domingo, 16 de dezembro de 2018

RICARDO DE BENEDICTIS - CONTO

VIDA MADRASTA E SEM SENTIDO!
Ricardo De Benedictis
Ainda jovem, deixou a casa dos pais no agreste nordestino e veio morar na Bahia. Fugindo da seca que por mais de dez anos afligia os sertões, trouxe um cavalo e dois burros carregando seus pertences pessoais, entre eles, uma viola que gostava de dedilhar nas noites de luar em sua terra natal.
Tomou a direção Sul, mas seu intento era tentar a vida em São Paulo, onde diziam que a prosperidade era constante e certa!
Ao passar a noite numa fria cidade da Bahia, achou interessante o movimento de pessoas e mercadorias, gado pastando pelos campos verdejantes, muita água e uma boa organização urbana. Fez duas ou três amizades , entre as quais conseguiu uma vaga de vaqueiro numa propriedade rural. Foi seu início na nova região. Era bom de trabalho e logo, logo, angariou a confiança dos patrões e dos novos amigos.
Sua vida foi melhorando e ele conheceu uma bela moça com a qual se casou e foi morar na periferia da cidade, em casa alugada. Os patrões ajudaram-no doando fogão, sofá, cama e móveis de quarto e sala usados, mas semi-novos, que muito ajudou na montagem da sua casa. A mulher do patrão chamou a noiva e fez um enxoval razoável contendo peças de tecidos para mesa e banho. E assim, pode realizar seu casamento, embora bem próprio dos seus parcos recursos.
Alguns anos depois, já com dois filhos, resolveu voltar às origens para ver seus pais, irmãos e demais parentes. Teria que fazer tal viagem sozinho, tentando não melindrar sua mulher, há muito adversária de tal aventura, por outro lado, evitando despesas e contratempos. Voltou dirigindo um veículo a gasolina e ao chegar ao destino levou um grande susto. Seus pais e tios haviam morrido. Os irmãos, alguns parentes e amigos migraram para São Paulo, buscando vida melhor. Sentiu-se um estranho no ninho! Até o Padre e o professor da vila estavam mortos. Apenas oito anos se passaram e parecia uma eternidade. Que barbaridade!
Foi ao cemitério e não encontrou qualquer vestígio dos restos dos seus familiares. O coveiro era um jovem recém chegado que não conhecia as famílias, enfim não havia notícia que não fosse fúnebre e ‘por ouvir dizer’. Ah povo desinformado, pensava, enquanto preparava-se para a volta.
Naquele tempo, a idade média do homem da roça era de 40 anos. O pessoal morria cedo. Ou picada de cobra ou malária, varíola, febre amarela!!! Triste lembrança...
Pensava em sua mãe e em seu pai como num remoto passado, apesar do pouco tempo. Como pode? – Pensava! Sentia remorsos por ter ido embora e deixado a família e muitas vezes chorava silenciosamente, principalmente ao deitar-se para dormir. Uma vez ou outra sonhava com seus tempos de menino e por vezes acordava no meio da noite procurando pelos irmãos até cair na realidade. Onde estariam?
Ao chegar em casa, depois de desfazer a mala e dar alguns presentes às crianças e à sua mulher, Rosário, ouviu-a sussurrando com a moça que fazia faxina: - O Zeca ta muito estranho. Não quis me contar nada da sua viagem. Ainda bem que não trouxe sua família, pai, mãe, irmãos... Já pensou? E arrematou: Onde esses matutos do cafundó do Judas iriam se arrumar aqui? De ignorância e burrice já estamos completos. Espero que não venha me dizer que eles ainda virão morar aqui. Era só o que me faltava!
Aquilo foi uma sentença fatal para o pobre Zeca, desiludido e triste por nada ter encontrado da sua família. Bateu uma desesperança!!!
Que mulher ele carregava ao seu lado... Insensível, má e falsa. Nada havia dito sobre a família ainda, por não ter encontrado clima adequado. Agora é que não diria mesmo!
O casal mantinha um mercadinho que o sustentava. Era um negócio pequeno, mas que dava para o gasto e nada lhes faltava. Ele e a mulher revezavam-se nos afazeres domésticos e comerciais e tinham até empregada! Há dois anos ele havia recebido uma indenização do tempo que trabalhou na fazenda de Joca e resolvera empreender.
A mulher, entretanto, não parecia nada feliz com a vida que levavam. Ela reclamava muito e mostrava-se insatisfeita com a jornada dupla que a cansava. Costumava dizer: - Ora, não temos tempo para nada! Quando vamos passar uns dias na praia? Ele fazia ouvidos de mercador.  Para quem veio do Nordeste com uma mão na frente e outra atrás, o progresso tinha sido grande, pensava com seus botões! Tinham que agradecer a Deus!
À noite a mulher passou a cobrar uma história da sua viagem e ele relutou em contar até que tiveram uma altercação. – Então não conte. Se pensa que vai trazer seus parentes pra cá, está muito enganado. Eles entram por uma porta e eu saio com as crianças pela outra!
Pronto. O coração guerreiro do nordestino falou mais alto. Não dava para suportar tanta indiferença com seus sentimentos. Planejou uma longa viagem para São Paulo e logo que as crianças saíram de férias escolares, tratou de arrumá-las e ...  sem mais delongas, avisou a mulher que iria para São Paulo no endereço de um dos irmãos que havia conseguido por sorte, quando parecia que tudo estava perdido.
Foi e gostou. Na cidade grande, passou a ganhar a vida como repentista nas rodas culturais do centro, próximo à 25 de Março. Encontrou dois dos Três irmãos, já que o mais velho havia morrido atropelado, casou-se com uma médica, formou os dois filhos e nunca mais voltou àquela cidade fria da Bahia que o havia acolhido tão bem.
A Rosário o encontrou em São Paulo. Veio ver os filhos. Ao vê-lo, mostrou-se arrependida, mas levou só uma semana. Voltou à sua cidade e esporadicamente os filhos iam visitá-la, sempre com notícias de progresso da mãe, que havia se dado bem na vida e estava morando num palacete.
O Zeca achava ótimo. - Assim ela não vai me aporrinhar e me deixa em paz. E a vida segue!
 A vida é assim mesmo, sempre devemos procurar o nosso lugar, até encontrá-lo, de fato, se é que este lugar existe!

sexta-feira, 14 de dezembro de 2018

NANDO DA COSTA LIMA - CRÔNICA:

No Berço do Paraquedas 
Nando da Costa Lima 
O avião todo mundo sabe quem inventou foi Santos Dumont em 1906. E
quase   todo   mundo   sabe   que   por   ver   sua   invenção,   criada   para   encurtar
distâncias, sendo usada para tirar vidas humanas na Primeira Grande Guerra,
que   ele   se   matou.   O   que   quase   ninguém   sabe   é   que   o   Paraquedas   foi
inventado antes do avião, e este fato histórico ocorreu aqui em Conquista antes
da  virada do século. Nossa Conquista ainda era menina...   A  igreja ficava
abaixo da atual Catedral. Nossas matas eram tão densas que uma única árvore
encontrada no Bem-Querer, serviu para todo emadeiramento da igreja. Esta
construída  em 1806 e  demolida em 1932. Ali  eram feitas as  reuniões dos
homens que comandavam a terra. Era um sobrado de dois andares, só que dois andares em uma construção do século XIX correspondiam a uns quatro andares atuais.   As reuniões eram feitas na parte de cima, e graças a isso nossa terra tem o orgulho de ser a mãe do inventor do paraquedas. É que a coisa estava tão feia na Câmara, para variar, tinha um querendo mandar mais que o outro. Isso fez com que fosse marcada uma sessão extraordinária. Essa ocorreu sobre  grande  tensão,    mesmo antes de realizada  gerou grandes transtornos na cidade. Um dos representantes do povo falou na Praça que se não se resolvesse a situação através do diálogo resolveria no porrete. Isso
levou   o   Presidente   da   Câmara   a   providenciar   dezesseis   porretes antecipadamente (um para cada vereador) que ficaram à disposição caso o argumento falhasse. Aquela sessão estava sendo esperada por toda a cidade, todo mundo sabia que o pau ia quebrar. O vigário, sabendo disso, inventou uma viagem a Poções para não ser intermediário daquele bate boca. Enquanto o vigário arrumava a mala, os vereadores se preparavam para o debate e os moradores apostavam. Quem daria a primeira cacetada? Aquilo era o início do desenrolar   de   um   grande   fato   histórico que  passou despercebido   à humanidade. Talvez porque na época não tivesse avião, mas se fosse uns cinquenta anos mais pra diante sem dúvida chamaria a atenção do mundo.
Conquista perdeu este espaço na história devido a uma questão de tempo.
   Quando os vereadores subiram pra parte alta da Matriz para o início da sessão mais esperada do ano, os porretes já estavam na mesa em frente aos seus   respectivos   donos.     Presidente   da Câmara   começou   a   sessão mostrando de   que lado  estava:  “Os  colegas  que concordam  comigo estão convidados para um churrasco depois de nossa vitória no debate. Quanto aos sacanas da posição, se quiserem cair no pau, é melhor nem passar pela porta”. Isto fez o debate engrossar antes de começar. Um dos participantes tirou o paletó, pulou no centro da sala e gritou: “Você tá querendo comprar os votos com churrasco, só que comigo a coisa é diferente”. O Presidente da Câmara não suportou a afronta e lançou mão do porrete, quando partiu pra cima do colega pra dar uma cacetada, este sentiu que o negócio era sério.
Quando viu o guarda-chuva esquecido pelo padre, junto à janela; não perdeu tempo! Pulou do segundo andar com o guarda-chuva aberto para evitar de cair no   pau.   Escapou   ileso,   além   de se livrar   das   pauladas   o   guarda-chuva amorteceu   a   queda...   E   assim   foi   inventado   o Paraquedas   para   uma humanidade   ainda   cega  pra   tais   coisas.   O   nome   do   inventor ninguém   se lembra, mas só por uma questão de tempo. É sempre assim, a maioria dos gênios nasce fora de sua época.

segunda-feira, 10 de dezembro de 2018

GOOGLE HOMENAGEIA CLARICE LISPECTOR

Homenagem do Google à Clarice Lispector

O maior buscador do mundo como sempre escolhe personalidades mundiais ou de cada país onde está presente para fazer homenagens e desta o Google homenageou a escritora Clarice Lispector que foi uma escritora ucraniana naturalizado brasileira, Clarice é conhecida internacionalmente no mundo da literatura, nasceu em 1920, se tivesse viva completaria 100 anos em 2020, a escritora ganhou prêmios e publicou diversos livros. Abaixo o buscador Google homenageando a escritora.

Clarice Lispector
(escritora)

Clarice Lispector.jpg


domingo, 9 de dezembro de 2018

RICARDO DE BENEDICTIS - CRÔNICA

SAL  MARINHO E SAL REFINADO DE COZINHA: DIFERENÇAS, BENEFÍCIOS E MALES À SAÚDE
Ricardo De Benedictis

Sempre ouvi comentários entre nossos familiares (pais. alguns irmãos e amigos), sobre os males causados o pelo Sal natural, aquele encontrado nos mares (no Brasil, o maior produtor do sal marítimo é o Rio Grande do Norte, principalmente nas salinas de Mossoró e Areia Branca). A Bahia já foi grande produtor de Sal Marinho e sua maior salina encontrava-se em franca produção em Salinas da Margarida, a pouco mais de 50 Kms. do Terminal de Bom Despacho, na Ilha de Itaparica. Salinas da Margarida fica à direita, já na parte continental, após a ponte sobre o mar, em direção a Nazaré das Farinhas e à BR-101.
FAMILIA CHAGAS: Nossa origem familiar materna tem muito a ver com Salinas da Margarida, cujo gerente, já na curva final do seu apogeu, foi o meu avô - MANOEL RICARDO DAS CHAGAS, conhecido e respeitado Cel. Ricardo Chagas, por longa data. E por essa e por outras, em nosso ambiente familiar, ouvíamos conselhos da minha mãe Profª Nadir – primeira professora formada a lecionar em Poções e que tem um colégio batizado com seu nome na cidade de Poções/Bahia, onde nascemos, à respeito do consumo do sal , bem como tais diferenças da composição de produto tão essencial para a dieta humana. Ela costumava dizer: “O sal marítimo é puro e não leva produtos químicos, enquanto o sal de cozinha passa por processos industriais que o contaminam de alguma forma, pela adição indesejável de uns e pela perda da maioria essencial da sua composição”. Recebi ontem, repassado pela minha douta irmã, Stella Maria De Benedictis, um vídeo em que se comenta os males do sal de cozinha e lhe prometi pesquisar um artigo que contivesse diferenças do sal de cozinha e do sal marítimo, etc. E se formos um pouco radicais transformaremos nossa vida num inferno e acabaríamos contraindo uma doença terrível que é a DEPRESSÃO. Quem puder, entretanto fazer sua própria comida em casa e utilizar-se do SAL MARINHO, certamente terá ganhos em sua saúde. Difícil será educar nossas crianças com esse sentimento! Vamos ao que interessa sobre o assunto. Encontrei muitas referências importantes sobre o tema e separei um para que os leitores saibam as diferenças e as conveniências de uso, quantidade. Etc. Ressalvo, por oportuno, que na vida atual é muito difícil seguir à risca os cuidados com a saúde, tendo em vista que fomos evoluindo na industrialização em geral, em particular na indústria de alimentos, temos hábitos de freqüentar bares e restaurantes, cujos pratos nem sempre obedecem tais preocupações. Daí porque é bom estarmos sempre alerta.
INFORMAÇÕES:
https://www.jasminealimentos.com/wikinatural/sal-refinado-x-sal-marinho/

Entenda a diferença entre sal refinado e sal marinho


Redação - em 22 de maio de 2014
Já faz algum tempo que o sal passou a ser visto como o grande vilão da alimentação. Afinal, quando consumido em excesso, pode causar doenças cardiovasculares, hipertensão, cálculo renal, entre outros sérios problemas de saúde. Porém, quando consumido na medida certa, ele também pode deixar de ser vilão para virar um parceiro e, assim, trazer benefícios para o nosso organismo. Essa mudança começa na substituição do sal refinado pelo sal marinho.
Entre os benefícios do sal, destaca-se a sua fundamental participação na função biológica das células e no equilíbrio de fluídos, além de fornecer minerais importantes para o nosso organismo. Mas para que o sal seja realmente benéfico, é necessário controlar a quantidade do seu consumo no dia a dia, a qual não deve exceder o limite de 5 gramas (aproximadamente uma colher de chá) diárias, conforme recomendação da Organização Mundial da Saúde (OMS).

A diferença entre sal marinho e sal refinado

sal refinado, assim como o sal marinho, é obtido através da evaporação da água do mar. Porém, o sal refinado passa por um processo térmico para que a sua umidade final fique em 0,05% e, também, pelos processos de refinamento e branqueamento. Em ambos, o sal perde quase todos os traços de microelementos ou oligoelementos (que inclui o iodo) e só permanece com uma alta taxa de sódio. E tanta mudança que, após o refinamento, o sal precisa passar por um processo de iodação, já que a deficiência dessa substância no organismo pode desencadear o desenvolvimento de doenças como bócio e outras anomalias.
Já o sal marinho não passa por nenhum desses processos, seja ele térmico, de refinamento e ou branqueamento e, portanto, mantém todos os microminerais e nutrientes que o sal refinado acaba perdendo, inclusive o iodo. Além disso, o sal marinho também possui um sabor menos salgado do que o sal refinado e não sofre adição de nenhuma substância química. Assim, o sal marinho permanece com cor e tamanho diferentes do refinado. No máximo, ele é moído para que o seu uso possa ser feito no preparo de alimentos. O sal grosso, comum em churrascos, é um tipo de sal marinho que passou por processo de moagem para reduzir o tamanho dos cristais de sal, mas não por tratamento químico.
Além disso, o sal marinho é composto de:
  • 55,5% de cloreto
  • 30,8 % de sódio
  • 7,7% de sulfato
  • 3,7% de magnésio
  • 1,2% de cálcio
  • 1,1% de potássio

Sal rosa do Himalaia também é sal marinho

É importante ressaltar que nem todo sal marinho é extraído a partir da água do mar. O sal rosa do Himalaia é um exemplo de produto que, embora não seja retirado diretamente do mar, uma vez que é extraído de depósitos milenares nas cadeias de montanhas do Himalaia, é considerado um sal marinho. A definição de sal marinho é de um sal que não passou por processamento e por isso mantém seu valor nutritivo e as características originais de sabor, textura e coloração, não sua origem marítma.

sábado, 8 de dezembro de 2018

NANDO DA COSTA LIMA - CRÔNICA

O DOMADOR
Nando da Costa Lima
Aconteceu num revéillon...
   Corinto Pranchão queria receber seus convidados do mesmo jeito que os "quatrocentões" paulistas recebiam antigamente. Ele passou a vida perseguindo a fortuna, só conseguiu aos 45 anos ao se casar com Marineide, vinte anos mais velha. Estavam aproveitando o fim de ano pra comemorar o primeiro ano de casamento, tudo tinha de ser de primeira. Até o peru veio dos States! O caviar russo e o champanhe francês faziam o maior contraste ao mau gosto da decoração da casa. Gerôncio foi o pri­meiro a chegar na recepção, encostou na mesa de comidas e man­dou ver. Aproveitou que não tinha ninguém olhando e comeu co­mo se estivesse em casa, lembrava um porco em cima de um cocho de ração. Só saiu dali quando a casa estava cheia, de longe ele en­xergou Lina, tinha mais de um ano que tentava se aproximar da­quela princesa. Até flores ele mandou, mesmo os amigos falando que aquilo não era coisa de homem, ele só estava ali porque sabia que ela viria. Tinha até decorado a prosa, como Lina era inteligente, ia falar de ecologia, política, música. Naquela noite querendo ou não ela ia ter que escutar seu papo de enciclopédia.
Na festa tudo corria bem, o dono da casa já tinha dado o pre­ço de tudo que tinha na mesa, e um grupo de "puxa saco” já apontava seu nome como candidato a deputado na próxima. Sua mulher, que usava um longo rosa com um laço verde-cana na cin­tura, se desdobrava pra atender os convidados. Era uma mancada após outra, a mulher do prefeito perguntou onde era o toillet, ela levou para a mesa de frios e disse que toillet não tinha, mas ca­viar, pernil e peru tinha que dava pra encher o bucho. Um deputado falou, demagogicamente, que quando via tanta comida se lembrava dos morimbundos, ela rebateu dizendo que os "maribondo" que tinha lá o marido já tinha colocado inseticida. Apesar dessas e outras, tudo ia bem na festa dos Pranchão. Tinha ate música ao vivo. Gerôncio se entusiasmou com a valsa to­cada a pedidos do dono da casa e caminhou pra cima de Lina já valsando, não podia perder aquela chance de tê-la nos braços. Quando estava perto dela deu aquela dor de barriga que a gente logo entende que o único remédio é um vaso sanitário. Gerôncio se entortou todo e correu pro banheiro ficou mais de meia hora fa­zendo força, e nesse tempo nem ele pôde entender como aquilo saiu de dentro dele, devia ter sido aquelas comidas de ricos! Deu mais de vinte descargas e o rebelde permanecia no lugar, nem me­xia! O jeito era deixar aquilo lá, ninguém ia saber que tinha sido ele. Quando começou a abrir a porta do banheiro escutou a voz de Lina, era ela que tava na fila há mais de 10 minutos! Gerôncio quase entra em desespero, bateu a porta e começou a imaginar um meio de se livrar daquele inconveniente. Descarga não adiantava, pen­sou em pegar e enrolar num papel higiênico e jogar no cesto. Não deu! Além de o papel ter terminado, aquilo não ia caber no cesto. Nesse meio tempo Lina começou a bater na porta, tava apertada. Aí o homem endoidou, numa atitude desesperada abriu o armário do banheiro na tentativa de achar alguma coisa pra lhe ajudar a se li­vrar daquele troço (ou trôço, como queira). Só tinha duas escovas de dente escritas no cabo "Amorzinho" e "Amorzão", não deu outra! Pegou as duas, ficou de joelho em frente ao vaso e triturou o rebelde até este ficar em condições de descer com uma simples descarga. Não foi maldade, foi a única maneira que ele encontrou para sair daquela. Não fez por perversidade, tanto é que depois que usou as escovas como triturador, lavou-as,enxugou  e colocou no mesmo lugar. Ninguém notou nada, e Lina passou a noite nos braços do "Domador”. Apelido dado a Gerôncio depois que o fato veio à tona. Portanto, se você pretende algum dia receber em alto estilo, cuidado! Há sempre um domador pronto pra atacar. Guarde as escovas de dente num lugar mais difícil...