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domingo, 26 de maio de 2019

JEREMIAS MACÁRIO - CRÔNICA

O NEGACIONISMO É IRRACIONAL E IDEOLÓGICO
Jeremias Macário
 
 Você não pode negar o seu próprio passado, a sua própria história e suas próprias origens. Do contrário você entra no campo do irracional. Sobre a história, pode até se questionar pontos e se fazer uma revisão dos acontecimentos através da apuração deles sob a ótica social, econômica e política do tempo, analisando as ações e as atitudes dos atores e dos personagens.
   Como ressaltou o professor de História da Universidade de São Paulo, Marcos Napolitano, em entrevista a um jornal de Salvador, nos últimos meses surgiu uma onda do negacionismo, impulsionada por declarações de políticos, a começar pelo capitão-presidente, o Bozó, que sempre procurou negar a existência da ditadura civil-militar no Brasil dos anos 60 aos 90.
O desconhecimento dos jovens
 Não somente isso, diante de todos os fatos, testemunhas e estudos, ele cometeu o absurdo irracional de não reconhecer que houve torturas nos porões das forças armadas, e até homenageou um torturador em votação no Congresso Nacional. O mais lamentável é que boa parte dos nossos jovens embarcou nessa, e muitos nem acreditam que existiu ditadura.
  Para os negacionistas, que cometem o maior pecado de negar o conhecimento, não houve holocausto, escravidão, revolução socialista na Rússia, massacres na Bósnia, nos campos palestinos de concentração e nem matança dos índios nas Américas, só para citar estes fatos monstruosos contra a humanidade e que ainda ocorrem na atualidade. Por que a história sempre se repete? Uma das respostas é porque muitos a desconhecem e até negam.
  O mais perigoso, como alerta o professor Marcos, é essa negação do conhecimento chegar às nossas escolas, como no caso da ditadura que torturou, matou e fez desaparecer os corpos de centenas de presos políticos. A anistia aos torturadores, o que não aconteceu na Argentina, no Chile e no Uruguai, deixou as feridas abertas e abriu caminho para o negacionismo.
  “Os livros didáticos podem ser diferentes, mas há um limite que não pode ser cruzado que é a negação do conhecimento. A pessoa tem uma posição política diante do nazismo e do comunismo. O que não pode é construir esta posição às custas da verdade histórica” – esclarece o professor.
  De acordo com ele, o professor precisa se munir de evidências diante das negações. Acredita que uma forma de combater o negacionismo é os historiadores se comunicarem mais com a sociedade. O termo, segundo ele, já existe a algum tempo e se refere à historiografia do holocausto. Na campanha política do ano passado apareceram negacionismos ligados à história do Brasil, como a de que não houve genocídio indígena, os portugueses nunca estiveram na África para traficar escravos e não houve ditadura e tortura.
 Trata-se de negação de eventos em que ocorreram evidências fortes, testemunhais, materiais e documentais. O ex-ministro gringo da Educação, chegou a declarar que houve uma democracia de força. É até hilário, porque,  se foi de força,logo deixa de ser democracia. É como o caso de um sujeito irracional que resolve contrariar só para contrariar. É típico de uma atitude de extrema-direita.
  O historiador Marcos afirma que esta visão de que toda historiografia é de esquerda é preconceituosa e errônea. Destacou que a historiografia brasileira tem hoje um leque amplo com liberais, conservadores e até de esquerdistas que não são marxistas.
“Todo historiador sério segue regras. Não pode achar que não existiu porque ele não gosta daquilo, ou a ideologia com a qual ele se identifica não aprova.” O revisionismo clássico é possível, feito com todo respeito às normas metodológicas da área.
   Quando surgem novos fatos, os especialistas e cientistas revisam o passado. Outra coisa diferente é revisionismo ideológico – adverte o professor. Ele concorda que houve revisionismo com relação a ditadura no Brasil.
Chegando nas escolas
Exemplifica que historiadores progressistas revisaram temas polêmicos que a própria esquerda defendia, como a participação da sociedade no golpe militar. A esquerda falava que o golpe tinha sido feito por meia dúzia de militares, alguns políticos e apoio americano, e que a sociedade entrou apenas como vítima. Hoje se sabe que houve participação civil.Isso, no entanto, não quer dizer que a ditadura não existiu.
O professor disse que esse negacionismo puro e ideológico já está chegando nas escolas. Professores do ensino básico já ouviram de alunos que esse negócio de ditadura não existiu, que é uma invenção da esquerda. Como os professores devem lidar com isso? É mais um dilema no nosso ensino tão deficitário.
  Para Marcos Napolitano, o professor precisa ter muita clareza sobre o que é uma evidência. Por que dizemos que houve tortura? Porque há testemunhas, documentos, provas e evidências. Quanto a ditadura, porque tivemos governos que cassaram parlamentares, fechou o Congresso e governaram à base de atos institucionais, como o AI-5.São evidências de um regime autoritário. Não dá para chamar isso de democracia.
Caso o MEC interfira na avaliação dos livros, isso constitui uma forma de pressionar para que se incorporem negacionismos, não apenas na história. Existe a questão do criacionismo, que não tem estatuto de opinião científica.“O que não pode é construir essa posição política e ideológica do negacionismo às custas da verdade histórica” – argumenta o professor.

sábado, 25 de maio de 2019

NANDO DA COSTA LIMA - CONTO

VEGANO SÓ AMANHÃ
Nando da Costa Lima
 Ivonete gostava do jeito elegante do marido. Ele era bacharel em direito, mas como não conseguiu a carteira de admissão na Ordem dos Advogados do Brasil, foi o jeito virar empresário. A mulher tinha dinheiro e logo se prontificou a montar um restaurante pro imprestável. Por ser 30 anos mais velha que ele, fazia tudo para agradá-lo. E ele se portava como um bom marido, tratava Ivonete com muito carinho! Também pudera, até o café da manhã ela levava na cama, sem contar o remedinho pra esquizofrenia que ela dava na boquinha.
O restaurante era o melhor da cidade, e o carro chefe era o ensopado de bode ao vinho. Vinha gente de fora pra provar a iguaria. Foi num feriadão que apareceu um grupo de paulistanos. Eram três mulheres e um homem. As moças pediram o famoso ensopado, mas o homem complicou tudo quando disse que era vegano. Marculino, dono do restaurante, chegou a arregalar os olhos quando soube que vegano não come nem usa nada de origem animal. Foi depois de muita conversa que ele convenceu o cliente a tomar um caldo verde enquanto as amigas degustavam o bode. O rapaz aceitou, e gostou tanto do caldo que repetiu umas três tigelas. Quando terminou, quis saber como aquela comida maravilhosa era preparada. Depois que o cozinheiro explicou que se refogava o couve na manteiga e depois colocava um tablete de caldo de galinha pra dar gosto, o “veganão” subiu nos tamancos, ficou puto… Começou fingindo que tava passando mal, e aos berros acusava o dono do recinto de ter feito ele comer um “cadáver de galinha”. O cara ficou doido! Vai ser vegano assim “nas Oropa”. Vomitou tudo, nem se deu ao trabalho de ir ao banheiro. Derramou em cima da mesa, foi a maneira que achou de protestar. O povo brasileiro tinha que aprender a conviver com os veganos.
Marculino ficou o dia limpando a sujeira que o porra do “veganão” tinha feito e ainda por cima não pagou a conta, alegou que aquilo foi quase uma tentativa de assassinato. E olha que se o dono do restaurante estivesse armado a coisa acabaria de outra forma, a sorte dele foi que o decreto do governo não permite arma pra bacharel, só tem direito quem tem a carteira da OAB... Ele até tentou comprar uma arma, mas bacharel só pode usar badoque e espingarda de pressão se passar no psicoteste. Nem adiantou ele alegar que tinha curso de doutorado no estrangeiro. Marculino tava desolado, e dona Ivonete chegou pra consolar o maridão que tava uma fera.
— Ô, mozão. Você tem que levar em conta que o sujeito pra ser vegano tem que ser milionário. É difícil se adaptar ao regime deles, não se pode comer nada que um dia foi vivo. Eles só comem verduras, frutas e sucos… Não come nem ovo!
— E como é que eles viajam? A pé? E se for a pé, calçando o quê?
— Tem muito sapato já fabricado pra esse tipo de consumidor, são caríssimos! Não pode ser de couro nem de plástico.
— E como é que eles viajam? Rico gosta de viajar! Carro a álcool também é lubrificado com óleos e graxas derivadas de animais, dos fósseis.
— Essa parte eles ainda não me explicaram, mas só o sacrifício de comer folha com folha pra desintoxicar o corpo e cuidar do planeta já mostra que eles têm boa vontade.
— É, Ivonete. Parece que você parou de me amar. Tá caindo até nas conversas dos veganos., Você acha certo o que aquele merda fez no meu restaurante, só por causa de um caldinho de galinha? O homem quebrou tudo, além de acabar com o movimento do lugar
. Se eu tivesse minha carteira da OAB eu podia tá com um fuzil, aí aquele sacana ia ver. Aquele porra até parece que é…
— Não é viado, é vegano!.
— E quem falou isso? Tá querendo colocar palavras na minha boca pra me complicar? É melhor você usar seu aparelho de surdez, desse jeito você me incrimina em vez de me ajudar. Quem mais sabe o que é um vegano sou eu, aquele traste paulista fez questão de explicar tudo pausadamente, tintin por tintin.
Marculino conseguiu manter o restaurante aberto a custo de muito sacrifício, tava pegando cliente a laço. Ficou traumatizado com o “veganão” paulista. Só foi se estabilizar depois que a esposa teve a brilhante ideia de colocar uma placa na entrada: “VEGANO SÓ AMANHÔ.

sábado, 18 de maio de 2019

JEREMIAS MACÁRIO - CRÔNICA

FILOSOFIA, LEITURA E LADROAGEM
Jeremias Macário
 “Penso, logo existo”. Comecei a pensar com mais clareza e a compreender melhor a lógica das coisas quando iniciei meus estudos básicos de filosofia nos antigos cursos ginasial e no clássico no Seminário de Amargosa e de Salvador. As citações dos pensamentos dos grandes filósofos gregos me deixaram encantado e até hoje não me canso de revê-los nos livros. Eles me ensinam a aprimorar o conhecimento e o saber.
Passados muitos anos de luta e viver, hoje sinto-me triste e desiludido quando vejo um governo desastroso renegar o ensino daquela que é a mãe de todas as ciências, e ainda colocar a sociologia também como um estudo sem valor para os jovens. É como dizer que a partir de agora é proibido pensar no Brasil. As pessoas, há muito tempo, estão deixando de existir porque deixaram de pensar, como diz a lógica.
Serve para todas as profissões
 Como disse um leitor de um jornal da capital, a filosofia ensina a pensar, e esse dom do pensar serve para todas as profissões. Mas, para o ministro do Bozó, ela tem pouca importância. Na sua ótica vesga, a prioridade é aprender a fazer contas, mas como fazer contas sem saber pensar?Os grandes filósofos como Arquimedes, Pitágoras, Aristóteles e outros foram matemáticos, astrônomos e inventores.
  Diante de tantas insanidades nestes primeiros meses do governo do capitão, só posso pensar que o país está sendo conduzido por um bando de malucos. Como disse o leitor lá na frente, “o tempo é o senhor da razão” Em 341 a.C., o pensador grego Epicuro afirmou que todos são capazes de aprender filosofia em todas as idades, sendo ela um caminho para a liberdade.
O conhecimento filosófico é fundamental para o desenvolvimento humano e ensinar a interpretar melhor a vida, e até achar algum sentido para ela. Para a ignorância, a estupidez e o totalitarismo, a filosofia é um grande perigo. Entre a militarização e os astrólogos, o Ministério da Educação virou uma balbúrdia, e o grande chefe Bozó chama os estudantes e os professores de idiotas e inocentes úteis, repetindo os mesmos chavões da esquerda.
LEITURA
A perda pelo hábito da leitura no país levou o brasileiro a deixar de pensar e a engolir tudo que recebe como se fosse um pacote de verdade. Infelizmente, perdemos também a filosofia do ler. Uma prova é que o setor livreiro vive em crise, de acordo com a Câmara Brasileira do Livro. Estamos mais habituados à oralidade. Entre o primeiro bimestre de 2018, em comparação com o atual, as vendas de livros caíram 18% em volume e 19% em valor. Se serve de consolo, em Vitória da Conquista, conforme o movimento das livrarias Nobel, o valor de vendas entre 2017 e 2018 se equiparou, mais por causa da demanda por livros infanto-juvenil e de autoajuda.
  Parece uma contradição, mas, graças à expansão digital, nunca se escreveu e se leu tanto, considerando o acesso fácil às redes sociais e aos textos em formato PDF. Se o célebre poeta clássico Eurípedes colecionava papiros, a substituição deste meio pelo livro também provocou problemas. No papiro, a leitura não tinha quebras de continuidade. Muitos devem ter questionado o novo invento.
   Lidamos hoje com a competição dos impressos versus os meios digitais, só que o livro tem ao seu favor a confiabilidade. Além de ser documental, a mensagem impressa fica registrada. Uma gigantesca caixa digital de Pandora foi aberta espalhando o mal pelo mundo, com informações falsas e adulterações. Por outro lado, a leitura nas redes está mais limitada a títulos de manchetes e a pequenos textos, sem muito conteúdo.
LADROAGEM
  De um polo ao outro, dizem os historiadores que a ladroagem contra o povo no Brasil está na gênese. Assim fizeram os portugueses que aqui chegando abocanharam as melhores terras. Quando D. João VI e sua comitiva aportaram no Rio de Janeiro, fugindo de Napoleão, em 1808, foram logo se apropriando dos imóveis de seus moradores.
   As ladroagens passadas e as atuais, mais as mordomias das três castas dos poderes deixaram os servos e súditos brasileiros na tanga. Depenaram  e ainda continuam depenando o que resta. A corrupção não para, e todos são inocentes. Aliás, é o país do mundo que tem mais inocentes dos crimes que cometeram.
  Como se fossem príncipes regentes, recentemente o Supremo Tribunal Federal fez uma licitação para compra de alimentos no valor de 1,13 milhão de reais, com a exigência de champanhe brut com quatro premiações internacionais, uísque de 18 anos, medalhões de lagosta ao molho de manteiga e outras iguarias de luxo.
  Enquanto isso, existem no Brasil cerca de 28 milhões de subocupados, sendo 13 milhões de desempregados, dez milhões trabalhando menos horas do que necessita e mais cinco milhões de desalentados, gente que já perdeu a esperança em conseguir um emprego. Nos hospitais, milhares morrem nos corredores sujos por falta de atendimento médico adequado. A educação é de péssima qualidade, e a miséria se alastra nas favelas e periferias pobres de esgotos a céu aberto por falta de saneamento. Se ao longo desses séculos fosse dado ao povo uma educação de qualidade e conteúdo para poder pensar e se indignar, o Brasil seria outro e não esse paradoxo.

domingo, 12 de maio de 2019

NANDO DA COSTA LIMA - CONTO

Paletó de aluguel
Nando da Costa Lima
Pastor Ariovaldo saiu corrido, nem a mala pegou! Estava devendo uma nota alta pro dono da boate, restaurante, casa de jogo e hotel “Boa Sorte”. Era o ponto ideal para quem gostava da noite, e Ariovaldo usava todos os serviços da boate-hotel. Mas foi o jogo que complicou sua vida, tava devendo muito dinheiro pro dono do lugar. Salustiano emprestava o dinheiro pra qualquer um, mas se atrasasse o pagamento, tava fudido. Depois que ele ficava enraivado, não aceitava nem o pagamento. Só sossegava depois que descarregava o canela seca no filho da puta que o enrolou. Não perdoava ninguém: nem dotô, nem padre, nem pastor, e muito menos parente ou pai de santo... Parece até que ele gostava de levar calote só pra dar uns tiros num sacana.
O pastor foi sabido, fugiu logo depois que “quebrou” na mesa de vinte e um. Perdeu pro próprio agiota e dono do recinto! Ariovaldo nem foi pro quarto, saiu do jogo direto pro ponto de apoio da Etimisa, ia entrar no primeiro ônibus. Tinha guardado um relógio “lanco modelo onze” já pra vender numa hora de aperto. Não era muito dinheiro, mas dava pra ele escapulir. Se ficasse, perdia a vida. Salustiano não perdoava nem a mãe.Apesar de ficar muito retado, Ele era um homem experiente, sabia que a grana de Ariovaldo tava curta, não dava pra fugir pra muito longe.
E ele tinha razão. Não demorou muito e um fuxiquento chegou com a notícia na ponta da língua: o pastor estava morando numa cidade perto de Conquista. Salustiano, já premeditando, tirou a descarga da rural para que o barulho abafasse os pipocos do canela seca. Estacionou na frente da casa em que funcionava a igreja, ligou o farol alto pra dentro da igreja, para que ninguém enxergasse, e meteu bala em Ariovaldo Pastor, descarregou o 38.
Parecia que tudo tinha dado certo, foi bem planejado. Nem ficou pra conferir se o homem tinha virado defunto. Ele viu o pastor levar a mão no peito, gritar alguma coisa e cair morto. O barulho do carro não deixou que os fiéis escutassem os tiros, e a claridade do farol alto deu a impressão de que era a “luz no fim do túnel”. Para eles, ficou parecendo que o pastor teve uma visão e caiu morto. “Deve ter ido direto pro Céu”. Foi assim que a história do pastor que teve uma visão no meio do culto e partiu dali mesmo, em frente aos fiéis, se espalhou caatinga adentro. O caso ficou tão conhecido que os irmãos resolveram guardar o paletó do pastor Ariovaldo, já tinham quase certeza que o traje era especial. Por isso botaram o paletó em exposição na igreja, era um terno azul claro quadriculado. Depois que Raimundo Gago curou a bronquite numa visita, o povo da cidade começou a fazer fila na porta da igreja pra poder ver a relíquia dita santa e que agora era milagreira. Com o tempo começou a romaria, vinha gente de todo o Brasil, até a comitiva de poetas de Poções veio prestigiar e se inspirar naquele objeto místico que tinha curado não só a bronquite, mas também a gagueira de Raimundo Gago. Bastou ele vestir o paletó e dar uma volta que ficou tudo bem.
O terno acabou dividindo os fiéis da igreja “Guarda meu lugar no Céu”. É que tinha um grupo que queria o terno sempre em exposição na igreja, já a turma do contra queria que se cortasse o terno e vendesse as tiras de 3 cm pros fiéis. Quem não gostaria de ter uma relíquia “sagrada” daquela qualidade? Mas um dia a festa acabou. Um pastor se deslocou de São Paulo para ver o que estava acontecendo. Quando contaram a história do Paletó Milagreiro, o homem ficou uma fera. Falou que aquilo era uma blasfêmia, eles estavam “adorando” um paletó. Chamou os fiéis e deu uma bronca em conjunto, depois fez um sermão de duas horas. Quando o povo já tava cochilando, ele pegou o terno na cristaleira que servia de mostruário e levou pra incinerar em São Paulo, isso só podia ser feito pela alta cúpula da igreja.
O tempo passou e nunca mais se ouviu falar do Paletó Milagreiro. O pastor paulistano que recolheu a relíquia, quando apareceu já foi como deputado federal... E muita gente jura que o terno usado por ele na posse era o Paletó Milagreiro. Depois que pesquisaram direito, ficou provado que aquele terno tinha sido usado em posses de prefeitos, deputados e senadores de todo o Brasil... Vereador não tinha caixa pra alugar a relíquia.
Os verdadeiros donos do paletó sagrado não puderam fazer nada pra incriminar o ex-pastor que sequestrou uma relíquia dita milagreira pra se eleger deputado. O amuleto não podia ser lavado pra não perder as energias positivas... Tava tão seboso que um político, ao ser escolhido para um cargo do 1º escalão, se recusou a usá-lo... A esposa alugou o terno sem ele saber. Acabou dando tudo errado pra ele. Bem feito! Quem mandou ser nojento? Perdeu um empregão... Sem falar da cara fechada da mulher, que vendeu uma fazenda para alugar o paletó milagreiro.

RICARDO DE BENEDICTIS - POESIA


MÃE
Homenagem ao Dia das Mães

RICARDO DE BENEDICTIS



Mãe, te encontro em pensamento,
Criança, cabelos ao vento
No agasalho do teu manto...
Mãe, tu fostes para nós
Nossa vida, nossa voz,
Nosso Lar, o nosso encanto...

Nosso caráter formaste
Com a educação que deixaste,
Maior herança e legado...
Felizes, sem perceber
Que um dia ias morrer...
Vivemos desse passado...

Nos dias da minha vida
Tenho minha mãe querida
A embalar os meus sonhos...
Toda noite, eu penso nela
E a revejo numa tela
Com seu olhar tão risonho!...

sábado, 11 de maio de 2019

RICARDO DE BENEDICTIS - ARTIGO E POESIA

FESTA DO DIVINO EM POÇÕES
Ricardo De Benedictis

A festa do Padroeiro de Poções, o Divino Espírito Santo, é  a mais tradicional da região e uma das mais belas manifestações religiosas e populares da Bahia. 
Neste ano de 2019 a festa do divino tem seu pico na sexta-feira (7 de junho PV.) com a ‘Chegada da Bandeira’ às 11 horas da manhã, partindo do bairro Poçoeszinho, postando-se à frente do adro da Igreja Matriz, situada na Av. Cônego Pithon.
A festa compõe-se de Novenas e cultos religiosos, culminando com a "Chegada da Bandeira", quando centenas de cavaleiros e amazonas desfilam pelas ruas principais da cidade ao som de foguetes e bandas de música, parando em frente à Igreja Matriz onde assistem e participam de uma grande Missa Campal, onde são entoados os hinos ao Divino Espírito Santo. Esta é a maior festa do gênero em todo o Estado da Bahia. A Chegada da Bandeira é uma réplica das Entradas e Bandeiras que povoaram o nosso país, fazendo crescer os seus limites. Durante o mês de maio/início de junho milhares de pessoas visitam Poções para participar da festa. Uns vão para pagar promessas, rever amigos e parentes e outros, para curtir a festa profana com bandas renomadas que desfilam pela noite a dentro, principalmente nos 8 dias finais do evento.
Para animação da festa, a prefeitura contrata várias bandas, a praça principal da antiga e centenária igrejinha erigida em louvor ao Divino Espírito Santo fica superlotada e a população participa dos festejos do seu Padroeiro, que acontece no dia de Pentecostes, data móvel, que sempre cai entre o final do mês de maio/início de junho. 
A participação popular na Festa do Divino é muito forte e a cada ano cresce o número de visitantes. São milhares e milhares de pessoas de todas as partes do país, filhos de Poções ou não, que se encontram em harmonia com o Divino Espírito Santo, desde a busca do Mastro, as novenas, até a Chegada da Bandeira na sexta-feira que antecede o domingo pentecostal.
HISTÓRIA  DA FESTA 
A centenária festa do Divino Espírito Santo, é a principal  da região, das mais tradicionais em toda a Bahia. Do ponto de vista cronológico, comemorada há mais de um século, datando de 1878, antecede a data de emancipação do município em dois anos. 
A Freguesia do Divino Espírito Santo de Poções foi criada  pela Lei Provincial nº 1.848, em 16 de setembro de 1878, nomeado seu primeiro vigário o Padre Luis da França dos Santos. A festa religiosa iniciou-se em 1878, com o primeiro vigário.
Desde então, consta de novenas, revestidas de todo o aparato, apesar das queixas da população quanto a atuação de alguns padres e outras autoridades que teimam em descaracterizar a festa ao longo dos anos, sempre com bons propósitos, mas sem o devido conhecimento do que representa uma festa tradicional e a sua preservação histórica. Sem qualquer compromisso com a memória, modificam a festa em sua estrutura, comprometendo A Chegada da Bandeira, ponto mais alto da festa profana, uma réplica que homenageia os bandeirantes que fundaram o município. 
DESCARACTERIZAÇÃO

No tempo da Ditadura, (1964/1984), os prefeitos, com a conivência do padre e dos civis, organizadores da festa, mandaram colocar um pelotão de "atiradores" do Tiro de Guerra local para conter a cavalaria (Chegada da Bandeira), alegando que esta seria a maneira de evitarem-se acidentes.
O pelotão desfilava à frente da cavalaria, tornando a festa grotesca, do ponto de vista plástico e tirando o brilho da cavalgada, vez que, a partir de então, o desfile evoluía a passos de cágado, andando e parando... Sem o trotar dos animais e o garbo dos cavaleiros e amazonas que emocionavam até às lágrimas e arrancavam palmas e vivas da multidão...  A Polícia Militar também foi, por várias vezes, convocada a colocar-se com seus veículos à frente da cavalaria, sob o mesmo pretexto. 
Por último, por inspiração não se sabe de quem, um carro alegórico leva crianças trajadas de anjinhos precedendo  a cavalaria... Um verdadeiro atentado às tradições...

A Chagada da Bandeira é uma réplica histórica da fundação do município; seria óbvio que nada que descaracterizasse esta lembrança histórica fosse introduzido na plasticidade da festa...
 Há mais de cem anos havia um pavilhão, especialmente construído e ornamentado, onde eram realizados leilões de bens doados pela população para a festa. Além disso, o pavilhão era o principal centro de encontros entre os filhos de Poções e amigos comuns. 
A descaracterização da festa é uma barreira cada dia mais difícil de vencer pelas comissões organizadoras do evento, fato que vem tirando grande parte do brilho dos festejos.
Entretanto, algumas obras importantes foram realizadas, visando o conforto dos visitantes, tanto na pavimentação quanto na construção de estruturas de apoio. 
Barracas, parque de diversões, muita música, muita cerveja e muito papo — Esta é a parte profana dos festejos. 
A parte romântica da festa foi totalmente engolida pela necessidade de se fazer carnaval;  e isto é uma pena...
Há um movimento crescente, de parte da comunidade, no sentido de resgatar algumas tradições que a modernidade foi deixando para trás. É lógico que este trabalho demanda cuidados, mas já é um ponto de partida para o resgate reclamado por importante segmento da sociedade poçoense.
O ENCONTRO
Há alguns anos, por inspiração de alguns poçoenses ali residentes e outros, que vivem em outras plagas, tendo à frente Pedro Silvino e Lulu Sangiovanni, faz-se o ENCONTRO num baile regado a papos, beijos e abraços ao som de bandas de músicos poçoenses e que sãu uma atração no sábado, desta feita, 8 de junho. As camisetas da festa já estão disponíveis e podem ser reservadas através do FACE com a  página de VELHAS FOTOGRAFIAS DE POÇÕES ou diretamente com Pedro Silvino Longo. Este ano, já reservamos nossa camisa e esperamos poder rever os amigos tão caros, uns contemporâneos outros mais jovens, tudo sob a benção do Divino Espírito Santo.
Festa do Divino
Autor: Ricardo De Benedictis
Ao meu pai, Massimo De Benedictis, com muitas saudades e inesquecíveis lembranças... À minha Mãe, Profª Nadir Chagas De Benedictis, aos meus irmãos, parentes e amigos
É bem alta madrugada...                                                 
Sempre que vou a Poções                                                    
sinto tantas emoções                                                               
no reencontro dos amigos...                                                  
...E na Festa do Divino
volto ao tempo de menino:                                      
Lembranças dos bens antigos...                                               

Do carrossel encantado,                                                        
pela sanfona, embalado,                                                        
dos aladins e fifós,                                                        
naquelas noites de orgia                                                         
em que nossa fantasia                                                           
não parecia veloz...

A Chegada da Bandeira,                                                
alvorada, barulheira,                                                   
acordando as madrugadas...                                          
...Fazem parte do cadastro                                                        
a busca do velho Mastro,                                                         
as primeiras namoradas...

A "Furiosa" tocando                                                             
pelas ruas, arrancando                                                             
as palmas das multidões,                                                      
com seus músicos garbosos                                       
desfilando, orgulhosos,                                                          
Oh, quem me dera, Poções,

reaver os bens perdidos,                                                         
no passado, esquecidos,                                                          
oh quem me dera voltar...                                             
Resgatar todo o trajeto,                                                
seguindo o caminho reto                                                           
e a juventude abraçar...

Os meus pais sempre presentes,                                    
amigos, irmãos, parentes,                                                        
as quermesses, os leilões,                                                        
as barraquinhas de palha,                                                        
os suéteres de malha,                                                                
o clima frio de Poções...

...Um beijo na namorada,                                                       
um passeio de mão-dada,                                               
chapéu, capa e botinha...                                           
...Lanterna de pilha à mão,                                               
garoa, lama, paixão,                                                               
era tudo o que eu tinha...

Cantorias, violadas, 
que venciam madrugadas,
são tão caras para mim...
Dormia, então, de cansaço,                                             
alguém me toca no braço,                                                         
a festa chegara ao fim...

sexta-feira, 3 de maio de 2019

NANDO DA COSTA LIMA - CONTO

                                                                                          
NANDO DA COSTA LIMA
      Não era de hoje que Climério procurava Vitalino, já tinha rodado meio mundo atrás de um curador retado como aquele. Climério era um homem rico e místico, tinha herdado aquilo do pai. O dinheiro ele jogou todo fora fazendo feitiço pra enricar mais ainda, só ficou um alqueire de terra, a sede e uma meia dúzia de guias espirituais que ele ainda conseguia sustentar. Não dava um passo sem consultar estes guias foram eles que indicaram o curandeiro Vitalino como a única solução para aquele problema... era ele que ia ajudar Climério abrir o cofre da prefeitura e recuperar as escrituras dos terrenos que lhe foram tomados. Aquilo nem podia ser considerado roubo, mas para isso era preciso a orientação de um curandeiro de respeito. Vitalino era uma peça rara, além de saber todo tipo de “livusia” ainda “invurtava”, morava socado no meio duma mata onde só ia quem queria algum compromisso com o “tinhoso” e olha que muita gente voltou no meio do caminho. Mas os que lá chegaram acabaram firmando compromisso, teve até conquistense que se deu bem com as garrafadas de Vitalino.
      Quando Climério atravessou a mata que separava a casa de Vitalino do resto do mundo, tava decidido. Nem o vento forte roçando nas árvores e assoviando como se fosse gente assustando sua montaria o desanimou. Vitalino já estava na porta da casa quando ele chegou, pareceu até que já esperava. Quando Climério contou pra Vitalino que, custasse o que custasse, ele queria aprender uma reza pra “invutar” abrir o cofre da prefeitura e recuperar suas escrituras. O curandeiro logo se prontificou a ajudar, isto se ele estivesse disposto a se desfazer da montaria e de algum dinheiro. Climério concordou de imediato e foi sentado num pilão num terreiro varrido por arruda e lavado com sal grosso que Vitalino deu a receita: “Inhozin pega um gato preto e bota pra cozinhar durante três dias e três noites, quando a carne separar dos ossos você pega a ossada e, na meia noite de uma sexta-feira, joga na correnteza de um rio. O osso que subir é a chave que você tá precisando, abre qualquer fechadura e você ainda ‘invurta’ (fica invisível)”. Climério anotou aquilo tudo e voltou pra casa satisfeito, nem notou a caminhada.
      O difícil foi arrumar um gato totalmente preto, mas logo que achou ele preparou a receita. Quando jogou a ossada do gato na correnteza, não se sabe por que, os ossos menores desceram rio abaixo enquanto que o espinhaço de gato inteiro subiu. Climério pegou aquilo, colocou num embornal e partiu pra prefeitura. Primeiro tentou abrir a porta da frente, não teve jeito, mas aí ele se lembrou de que a receita era pra abrir o cofre. Arrombou a porta e quando tava se aproximando do cofre crente que tava invisível, a polícia chegou e prendeu o arrombador. A sorte foi que quandoele confessou que queria abrir o cofre com aquele espinhaço de gato o juiz achou que era coisa de doido e mandou que o soltassem. Climério saiu da cadeia com tanta raiva que foi bater na casa de Vitalino no mesmo dia. Quando o curandeiro viu a cara de raiva do fazendeiro segurado aquela ossada, foi logo se adiantando: “Já sei, o trabalho não deu certo e o senhor veio aqui me fazer comer esse espinhaço de gato”. Aí Climério respondeu com mais raiva ainda: ”QUEM FALOU EM COMER?”.
Vitalino ficou num estado que não puderam nem trazer pra Conquista, foi o jeito mandar buscar um doutor. E o pior é que falaram que era um problema de osso e em vez de levarem um cirurgião, levaram um ortopedista pra remover o espinhaço de gato de dentro do rabo do curandeiro. O Dr. passou o maior aperto pra desentupir Vitalino no meio daquela mata que nem energia tinha. Hoje Vitalino não tira quebrante, não reza espinhela caída, não “invurta” e não pode ver um gato preto que arrepia até os cabelos da sobrancelha.

quarta-feira, 1 de maio de 2019

JEREMIAS MACÁRIO - ARTIGO

NOVA REDENÇÃO FAZ GRANDE FESTIVAL:

        SEMANA DA CULTURA CULMINOU
  COM O FESTIVAL DE NOVA REDENÇÃO
Jeremias Macário

A pequena cidade acolhedora de Nova Redenção do encantado Poço Azul,  encravada na Chapada Diamantina, abrigou de 23 a 27 de abril, a 26ª Semana de Arte e Cultura e o 7º Festival da Música, nos dias 26 e 27, atraindo gente de vários municípios da redondeza e artistas da Bahia e de
    outros estados, como de Minas Gerais, São Paulo, Ceará e até de Goiás. Com seus instrumentos e bagagens, músicos e compositores apresentaram suas lindas canções sobre o homem nordestino, seus costumes populares, as labutas na terra e o amor, incluindo protestos contra a destruição e o    abandono do rio São Francisco, mais conhecido como o “Velho Chico”, ou  o “Chiquinho” na palavra de um poeta paulista que defendeu o tema
“Francisco”.
     A ansiedade para os artistas do 7º Festival, que de regional se transformou em nacional, patrocinado pela Prefeitura Municipal, começou na sexta-feira (dia 26) durante todo o dia e logo mais ao cair do pôr-do-sol com a afinação dos seus violões violas, e só terminou na madrugada do dia 28
    com o esperado anúncio do locutor sobre os resultados das premiações dos melhores escolhidos por um corpo de jurados. Como sempre ocorre nos festivais, a classificação provocou críticas e questionamentos sobre os critérios de avaliação, como a troca de alguns jurados da noite de sexta para sábado, apesar da coordenação do evento ter jurado total lisura no trabalho.
    Com todo aquele pulsar cultural da cidade de 10 mil habitantes, não tive como não lembrar de Vitória da Conquista, a terceira maior cidade da Bahia com mais de 350 mil almas, cheia de grandes talentos onde a nossa cultura entrou em decadência, sem há muitos anos realizar um verdadeiro    festival da música, uma feira de livros, exposições de artes plásticas e outras linguagens artísticas para mostrar ao nosso povo que aqui é uma    cidade que tem sede de conhecimento, e ainda faz jus aos grandes nomes da arte, da poesia, da literatura, do cinema, da dança e do teatro.
    Os vencedores
    Na sexta-feira à noite, o famoso violeiro mineiro “Pereira da Viola” foi o convidado especial que abrilhantou o evento. Não decepcionou e balançou a praça com seu show de belas cantorias. No sábado à noite, antes de revelar os vencedores, a cantora Dani Lasalvia e o violonista Marcelo    Fonseca com o show “Subindo o São Francisco” atraíram o público com suas obras musicais no encerramento do Festival. Nos dois dias foram apresentadas 24 músicas das 37 inscritas neste ano, sendo que na sexta-feira, mesmo com a exibição de músicas de boa qualidade, só houve uma   premiação de melhor letra. No sábado, a troca de alguns membros dos jurados não agradou aos artistas do primeiro dia que se mostraram contrariados com a medida. Sentiram-se prejudicados pela mudança. Entre graves e agudos nos tons das violas e violões, com baixos e altos nas caixas de som, montadas no palco da praça, ao lado do Centro de Cultura, o músico e compositor Paulo Gabiru, representando a cidade de Bom Jesus da Lapa, com a canção “Ponteio Agudo” se emocionou ao levar o primeiro lugar com a premiação de R$7.000,00, mais troféu. O segundo lugar foi para Leilane Coutinho, de Vitória da Conquista, com a música   “Dose Certa”, recebendo R$3.000,00, mais troféu. ZéBeto Corrêa, de Belo Horizonte, com a música “O Que Era da Gente” foi premiado em terceiro    lugar, levando R$2.000,00, mais troféu. O quarto lugar foi Diorgem Júnior, de Governador Valadares, com a música “Saudade Matadeira”, homenageado com uma medalha. O mesmo foi classificado como melhor intérprete e premiado com R$2.000,00, mais troféu. No quinto lugar, Cícero Gonçalves, de São Paulo, com a música“Francisco” recebeu uma medalha. A melhor letra que fala do “Velho    Chico” foi “Martelo da Perenidade”, de Reginaldo Belo, de Ibotirama-BA,  com R$2.000,00, mais troféu. Fabrízia Macedo, de Nova Redenção, com a    canção “Viola Velha” foi a revelação do Festival, com troféu. O melhor trabalho de cultura popular ficou com José Miguel Rodrigues, de Goiânia  (Goiás), com a música “Pedaço de Sonho”, contemplado com uma medalha.
    O Festival foi idealizado no mandato do prefeito Ivan Soares, do PT, mas ficou parado entre 2013 a 2016 quando assumiu outra administração. Foi reativado com a prefeita Dilma Soares, segundo informou a assessora de Comunicação, Cristina do Anjos. As premiações e os troféus foram    patrocinados por várias empresas do município, visto que o evento não contou com apoio do Governo do Estado. Ela não soube informar os gastos com a Semana da Cultura e com o Festival.
    Os Participantes
    Os artistas que partiram de longe “comendo” poeira e pulando em buracos  nas estradas de crateras, inclusive de outros estados, com muito sacrifício financeiro e boa vontade para participarem do certame cultural tiveram que arcar com despesas de transporte e alimentação. Contaram apenas com alojamento coletivo, mas não tiveram ajuda de custo porque a Prefeitura alegou não dispor de recursos para cobrir estas necessidades. Foi tudo na  base da abnegação artística para mostrar suas obras.
    Participaram do Festival Jorge Café, de Brejões, com a música e interpretação de “Milagres da Caatinga”; Paulo Armando e Fabrizia Macedo, de Nova Redenção, com “Viola Velha”; Francisco Gui e André Marques, de São Gabriel-BA, com “De Repente um Canto”; Marcelo Nunes e Joilson Mello (Gerri Cunha –intérprete), com “Por Causa de Tu”, de Ibotirama-BA; Walter Lajes e Jeremias Macário (Walter Lajes –   intérprete), de Vitória da Conquista, com “Na Espera da Graça”; Reginaldo Bello e Carlos Araújo (intérprete Reginaldo Bello), de Ibotirama, com“Martelo da Perenidade”; Adenilton Ribeiro (intérprete Almirante de Meireles), de Nova Redenção, com “Chapada Parte de Mim”; Antônio Lima e Jorge Dyra, de Feira de Santana (intérprete Antônio Lima), com “Por que Tu Choras?; Dão de Abreu compositor e intérprete, de Ibiquera- BA, com “Sentidos Débeis” (Densidade); Samara Neves (intérprete Renata Rodrigues, de Nova Redenção, com “Mistura Oxente”; Reizinho Pereira e Adriano Casanova (intérprete Adriano Casanova), de Ibotirama, com “O  Velho Chico”; Sacha Arcanjo e Raberuan (intérprete Mané Quiabeira, de Lapão-BA, com “Galope Selvagem”; Cícero Gonçalves e Adriano Lopes (intérprete Cícero Gonçalves), de São Paulo, com “Francisco”; Edilson Barros e Klévisson Viana (intérprete Edilson), de Fortaleza, com “Engenho de Rapadura”; Papalo Monteiro compositor e intérprete, de Vitória da Conquista, com “Louvado Seja o Santo”; Rogério Flávio compositor e intérprete, de Itambacuri –MG, com “Pássaro Errante”; Paulo Gabiru e Clerbet Lui (intérprete Paulo Gabiru), de Bom Jesus da Lapa, com “Ponteio Agudo”; Saulo Fagundes e Olympio de Azevedo (intérprete Paulo Macedo), de Vitória da Conquista, com “Saudade do Zeca”; Pedro Hoisel e Valério Pisauro (intérprete Leilane Coutinho, com “Dose Certa”, de Vitória da Conquista; ZéMiguel compositor e intérprete, de Goiânia, com “Pedaço de Sonho”; Glebson Neve (intérprete Beatriz Dias, de Nova Redenção, com  “Memória e Invenção”; Diorgem Júnior compositor e intérprete, de Governador Valadares, com “Saudade Matadeira”- MG; ZéBeto e Bruno    Kohl (intérprete ZéBeto), de Belo Horizonte, com “O que Era da Gente”; e Ronaldo Tobias, compositor e intérprete, de Minas Gerais-MG, com “Flor do Vale”.
    Semana da Cultura
    A Prefeitura também promoveu, no período de 23 a 27, a Semana de Arte   e Cultura, cujo projeto envolveu alunos das escolas do município com trabalhos de técnica, voz e violão. Foi uma semana de muito movimento cultural e troca de conhecimento e saber com crianças das escolas, jovens e   adultos da pacata cidade da Chapada de deslumbrantes paisagens.
    Contou ainda com a participação de outras cidades da região, como Bonito (Exposição Quilombola); Seabra (Grupo Cultural Lamparinas), com exposição de literatura de cordel de Pedro Lima e teatro. O grupo apresentou a peça Tango no Presídio e o escrito monólogo “Retalhos
    Nordestinos”. O distrito Ubiraitá, de Andaraí, trouxe um trabalho interessante contando a história dos tempos da “Rádio e Novela” onde Amália de Oliveira representou Dalva de Oliveira. De Nova Redenção,Viviane apresentou “Cante Lá que eu Canto Cá” e falou sobre fragmentos da Poesia - ofício de Poeta, de Nelson Fatinelli. O evento realizou diversas palestras e exposições literárias e também uma mostra das obras de Tuna Espinheira (filme Cascalho) e da sua família.