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sábado, 19 de outubro de 2019

NANDO DA COSTA LIMA - CONTO

DELIRIUM TREMENS
Nando da Costa Lima 
       Como todo dono de boteco, só tinha uma coisa que Damião gostava mais que aumentar as contas da freguesia e fuxicar, era a birita! Vendia uma e bebia duas, já estava naquele estado em que o tornozelo fica parecendo um pilão. Mas era uma cachaça tranquila, não enchia o saco de ninguém..., a não ser sua mulher que toda noite acordava com ele aos gritos pedindo pra tirar a cobra de cima da cama. Marinalva já estava acostumada, nem abria os olhos, sabia que aquilo não passava de alucinação de pinga. Ela até tentou leva-lo ao médico, mas ele recusou terminantemente, pegaria mal confessar pra um médico que estava tendo alucinação, logo ele um comerciante de bebidas, além do mais seria o fim de linha pra sua fama de bom bebedor, era melhor conviver com a cobra imaginária que suportar as gozações dos amigos. Mesmo assim ela conseguiu uma consulta em casa com uma psicóloga, a doutora examinou o “bebum” e deduziu “que o paciente em questão teve uma transição desconexa do Id pressionando o Ego e desencadeando uma Cobrafobia crônica, o réptil já havia se instalado no inconsciente do paciente, causando um transtorno bipolar psico-cobrófico, um caso raríssimo.” Ninguém entendeu nada que a doutora falou e a cobra continuou aparecendo, ela até crescia... parar de beber nem pensar! O homem gostava tanto do álcool que passava as horas de folga fazendo experiências etílicas. Pra ele se não existisse álcool, o mundo morria de tristeza. Já imaginou um carnaval sem cachaça?
      Depois de anos convivendo com aquela agonia noturna, Marinalva decidiu dar um ultimato pro marido, tinha cansado de carregar aquela “mala”. Daquele dia em diante, ou ele parava de beber, ou ela ia embora. Deu o prazo de 48 horas pra ele se decidir, já estava de saco cheio daquela cobra. Ficaria na casa da mãe até ele resolver. Caso ele se decidisse pela birita, ela mandaria buscar os filhos. Damião nesse dia tomou todas, tava tão carente que pediu ao filho mais velho aos prantos que dormisse ao seu lado para aliviá-lo dos delírios noturnos. E foi graças ao rapaz que o casamento de Damião foi salvo... É que nessa noite, seu filho matou uma cascavel enorme que passeava por cima da cama do pai. Marinalva quase endoidou quando soube, conviveu tanto tempo com aquela cobra pensando que não passava de alucinação de bêbado. Damião ficou tão alegre que triplicou a cachaça e Marinalva tomou gosto pela pinga depois do problema resolvido. Foi nas ondas do marido e largou até o emprego de professora pra dedicar tempo integral ao copo, bebia de igual pra igual com o maridão.
     Hoje, três anos depois do ocorrido, nós estamos aqui no velório de Marinalva (que morreu de cirrose hepática) escutando Damião contestar o atestado de óbito e jurar de pé junto que quem matou sua mulher foi uma sucuri com mais de 20 metros, que ultimamente vinha saindo de dentro do guarda-roupa, ele tinha certeza que Marinalva morreu foi de susto, a bicha parecia um dragão, só não tinha asa. Desta vez resolveram chamar um neurologista pra examinar Damião, mas doutor Tolentino se recusou, argumentando que aquilo era problema do IBAMA. Este órgão por sua vez mandou um memorando explicando que não tinha armadilha pra pegar alucinação. E o interessante é que de cada dez amigos de copo presentes no velório, nove já tinham visto a sucuri descrita pelo viúvo...

CARLOS ALBÁN GONZÁLEZ - CRÔNICA


“Presente de grego”
Carlos Albán González - jornalista
Era o dia 18 de maio de 2011. No luxuoso e prazeroso Hotel Transamérica, em Comandatuba, na Bahia, estavam reunidos alguns dos maiores pesos pesados do empresariado nacional, convidados pela Odebrecht para ouvir uma palestra do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre a política econômica dos governos do Partido dos Trabalhadores (PT). Ninguém poderia imaginar que naquele instante estava sendo “embrulhado” um “presente de grego” de um torcedor de futebol ao seu clube de coração.

Entre goles de uísque importado 12 anos, Lula, que havia completado oito anos na Presidência da República, levou para uma sala reservada do hotel Emílio e Marcelo (pai e filho) Odebrecht. Sem rodeios, na presença de Andrés Sanchez, presidente do Corinthians, pediu que o gigantesco conglomerado construísse, na distante região de Itaquera, em S. Paulo, um estádio para o seu clube, o Corinthians.  

Aquele encontro no litoral baiano aproximava os interesses das duas partes: Lula pretendia ampliar o leque de apoio ao seu partido, visando futuras eleições, abraçando a numerosa torcida do seu “Curintia”, na dicção do petista; a Odebrecht olhava com bons olhos o volume de construções anunciadas pelo governo de Dilma Rousseff, o que incluía as Olimpíadas de 2016.

Mas Lula tinha outros planos, que começaram a ser costurados um ano antes, com a visita do francês Jérôme Valcke, secretário da FIFA, ao Brasil, para inspecionar os estádios que receberiam os jogos do Mundial. Influenciado pelo petista e pelo presidente da CBF, Ricardo Teixeira, que não escondia sua antipatia ao São Paulo F. C., Valcke, que, depois da Copa, acusado de corrupção, foi banido do futebol, vetou o “Cícero Pompeu de Toledo”, o Morumbi, na época, o estádio mais moderno do país, com capacidade para mais de 100 mil pessoas, localizado numa região de fácil acesso da capital paulista.

Estava decretado: o estádio dos paulistas na Copa seria o “Itaquerão”, cujo orçamento inicial de R$ 450 milhões aumentou, no transcurso da obra, executada às pressas (um “poleiro” provisório foi colocado para a partida inaugural, em 14 de junho, a fim de atender uma das exigências da FIFA), para R$ 1,2 bilhão, dinheiro emprestado pelo BNDES e Caixa Econômica Federal (CEF).

No dia 31 de agosto de 2016, a Câmara dos Deputados afastou a petista Dilma Rousseff da Presidência da República. Começava um processo de transição na filosofia política do Brasil, concluído no dia 1º deste ano com a posse do palmeirense Jair Bolsonaro.

Os corinthianos, evidentemente, não esperavam essa drástica mudança  nos gabinetes do governo, em Brasília, incluindo seu torcedor mais famoso, Luiz Inácio Lula da Silva, e o presidente do clube, o espanhol-andaluz e deputado federal (PT-SP) Andrés Sánchez. De um dia para o outro o Corinthians se viu responsável por uma dívida bilionária, reputada pela revista “Exame” como “o maior golpe do dinheiro publico do país”.

“O Corinthians não vai perder o seu estádio”, garantiu Sánchez esta semana numa coletiva de imprensa, ao ser questionado sobre os atrasos, que somam R$ 520 milhões, nos repasses mensais à CEF. Por determinação da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, o “Itaquerão” foi incluído na Dívida Ativa da União e no FGTS. Os adversários, naturalmente, torcem para que o estádio vá a leilão.   

Fazer parte dessa vexatória lista não é uma exclusividade do alvinegro paulista. Outros nove clubes (Palmeiras, Vasco, Fluminense, Botafogo, Avaí, São Paulo, CSA, Fortaleza e Cruzeiro) da 1ª divisão do futebol brasileiro poderão ter seus bens confiscados pela União. Além do atraso no recolhimento dos impostos federais e das obrigações sociais, estão em dívida com fornecedores e bancos, além das obrigações com a Justiça do Trabalho.

Aos inadimplentes o Congresso acena com o projeto de autoria do deputado Pedro Paulo (DEM-RJ), que propõe um programa de refinanciamento das dívidas, mas eles teriam que adotar a estrutura de clubes-empresa, deixando de ser associações sem fins lucrativos, sendo transformados em sociedades anônimas ou limitadas, e facilitando o acesso de acionistas, nacionais e estrangeiros. A transição é opcional.

“Não se trata de um perdão das dívidas”, explica o parlamentar, “mas de construir um acordo entre credor e devedor, que seja bom para todos”. Ao migrarem para o novo modelo, os clubes poderão usar o Refis para parcelar suas dívidas em até 240 prestações. Também terão direito a ingressar com pedidos de recuperação judicial. O projeto deixa claro que as associações devedoras precisam contar com a boa vontade dos credores das áreas cível e trabalhista.

Único representante baiano na divisão de elite do futebol brasileiro, o Bahia acumula hoje dívidas em torno de R$ 147 milhões, herança deixada por um regime ditatorial que durou 25 anos. Considerado hoje pela imprensa esportiva nacional como o clube mais democrático do país, o tricolor baiano, sob a presidência de Guilherme Bellintani, vem colocando em prática um processo de recuperação administrativa, financeira e esportiva, obtendo resultados importantes.

Fernando Schmidt, primeiro presidente eleito com os votos dos associados, recebeu em 7 de setembro de 1913 um clube desestruturado, mergulhado em dívidas, a maioria na esfera trabalhista, resultado de salários não pagos no passado a técnicos, jogadores e funcionários.

O Bahia conseguiu através de um acordo com o Tribunal Regional do Trabalho (TRT-BA) renegociar a enorme dívida trabalhista, a fim de não sofrer penhoras e bloqueios judiciais. Mensalmente, o clube repassa ao TRT R$ 600 mil. O Bahia está entre os 14 representantes da série “A” que aprovam o modelo proposto de clube-empresa.

domingo, 13 de outubro de 2019

NANDO DA COSTA LIMA - CONTO

Caviar com “mortandela”
Nando da Costa Lima
Da lente disforme de uma sociedade incoerente surgiu um mundo onde os homens falsamente se respeitavam, era Natal!.. E dos olhos da criança esfomeada brotou uma lágrima de alegria pelo brinquedo quebrado dado por um Papai Noel magricela escolhido para o cargo devido à barriga descomunal causada por uma cirrose. As pessoas se abraçavam tentando transmitir um sentimento fraternal, mas só tentavam... Caridade na cabeça dos hipócritas é distribuir o que não presta aos menos afortunados.
       A fome era vigente e nós, cães esfomeados, procurávamos aproveitar o máximo daquele dia lindo, tão bonito que as pessoas até se abraçavam fingindo se entenderem, tão fraternal que os mais ricos cediam suas sobras aos que nada tinham. A bondade era exercitada de todas as formas e em todas as partes, foi distribuído aos carentes tudo que não prestava, até na cadeia! E nesse dia os presos comeram do bom e do melhor. É que um Dr. paranoico mandou a mulher jogar uma ceia preparada pra cem pessoas toda no lixo. A mulher, que era uma santa, fez melhor, deu pra delegacia. A sorte é que o veneno só estava na cabeça do Dr. ! As prostitutas foram visitadas pelas senhoras da sociedade e naquele dia elas se trataram de igual para igual, as senhoras chegaram a chorar pelos problemas das putas, era coisa de Natal! Um morador de rua achou um frango assado quase que inteiro, deu pra família toda matar a fome. Tava meio roído, mas aquela ceia veio a tempo, e eles até lembraram que era Natal... Sessenta meninos de uma creche foram intoxicadospor salsichas com data vencida presentadas por um comerciante contagiado pelo espírito natalino, mas felizmente os médicos nesse dia estavam movidos pelo mesmo espírito e cuidaram das crianças a tempo. O padre dedicou uma missa ao pastor da igreja em frente e este retribuiu com um culto em homenagem ao reverendo. Acho que os dois templos só não caíram por causa da presença dos inocentes que, como o Pastor de Estrelas,Íris Silveira, “mantiveram suas bíblias envoltas pela beleza eterna do perdão”. Uma assistente social ficou surpresa quandoEtelvina atirou em seu rosto aquela lata de leite dada com tanto carinho, mas depois ela entendeu que aquela atitude só podia ter partido de uma mãe desesperada que perdera o filho por inanição há dois dias... ela até chorou... Um adolescente que não gostou do carro que ganhou bebeu além da conta e acabou atropelando o menino que desfilava orgulhosamente num velocípede que a patroa de sua mãe lhe dera de presente. Mas nada abalava o espírito natalino... E as pessoas continuavam bebendo, comendo e festejando o nascimento de um homem que só quis nos advertir que nada existe antes ou além do amor, sem ele somos zumbis de uma sociedade escravizada pela ilusão de existir! E a cada champanhe aberta para saudar o Santo Menino, dezenas de crianças deixavam de existir por não ter o que comer. Tá certo que o Natal já passou, mas eu não tenho hora pra nada, nem para datas. Acho que é porque eu vim pra assistir o espetáculo da vida de camarote. Como não deu, assisto da geral e ainda bato palmas.

domingo, 6 de outubro de 2019

RICARDO DE BENEDICTIS - CRÔNICA


ATIVISMO E DESCOMPROMISSO COM A DEMOCRACIA!
Ricardo De Benedictis

A Nação assiste estupefata à nefasta ação do Congresso Nacional, de um lado e o Ativismo quase cínico, do Poder Judiciário, do outro, cada qual imbuído da volúpia de desmoralizar a operação Lava-Jato ou pelo menos, facilitar a vida dos entes políticos e empresariais corruptos, que têm levado o Brasil ao desencontro do seu destino.

Ambos aproveitam-se da insegurança do presidente Bolsonaro – em relação ao seu filho senador, também preocupado em transformar um outro filho deputado federal em embaixador nos EUA, enfim, refém daqueles que infelicitaram o Brasil durante anos, legislando em causa própria e saqueando os cofres públicos para enriquecer.

No meio deste imbróglio, as reformas que a Nação espera para sair da recessão e a decepção popular com o desemprego herdado, mas das quais o governo atual não consegue se desvencilhar. Situação difícil, leva o entusiasmo daqueles que votaram no presidente para o corner, como numa luta de boxe ou MMA.

Ficamos imaginando a situação vexatória de alguns generais que servem diretamente ao governo e que seriam, por assim dizer, seus conselheiros. O que parece é que o presidente está enredado numa armadilha familiar da qual não consegue se desvencilhar, aliando-se tudo isso à sua constante agressão ‘aos cachorros mortos’ que foi deixando para trás, desde que se elegeu em 2018.

Resultado: Mais de nove meses de governo e a criança não nasce. Lança-se a única saída para a parteira fazer nascer a criança Brasil e o recurso do ‘fórceps’, aparece como solução. Acontece que este instrumento seria perigoso para a Democracia e doloroso para o povo, o que poderia levar o país a uma recessão ainda maior.

O Senado Federal engaveta dezenas de pedidos de impeachment contra ministros do STF, cujos processados dormitam na gaveta do presidente da Casa que deles se vale para uso próprio ou de terceiros, uma vez que muitos dos senadores e deputados estão na mira das investigações de recebimento de propinas.

 Vejam em que situação nos encontramos. Refém de um lado, refém de outro e o povo no meio desse lamaçal podre que não deixa o país deslanchar.

As medidas propostas são eivadas de vícios, deputados e senadores de caráter duvidoso atacam-se uns aos outros, o mesmo acontecendo na nossa maior Corte, onde os ministros não respeitam os colegas e muito menos, a própria toga, e a população que os sustenta.

Não vemos como sair desse jogo sujo, ou mesmo, quem escapará ileso de tanta ignomínia.

Deus tenha pena do Brasil e de nós.
Misericórdia!

sábado, 5 de outubro de 2019

NANDO DA COSTA LIMA - CONTO

Um causo freudiano

Nando da Costa Lima
O escritor tava pra perder a paciência, rodou a cidade toda atrás de alguém que traduzisse uma carta de Freud, uma raridade, presente de um tio que foi passear na Europa. Mas só escutou besteira. O primeiro a ser consultado foi um médico que sempre se gabava do alemão aprendido na universidade. O homem traduziu espontaneamente, parecia que tava lendo uma cartilha: “Caro Dr., estou lhe escrevendo para cancelar minha conferência devido a uma blenorragia que há meses incomoda-me. Assim que me livrar dessa inflamação no canal, entrarei em contato. Abraços do adoentado amigo Freud”. Depois que traduziu ainda comentou: “Dr. Freud devia estar precisando de um bom urologista como eu!”. Como o Dr. gostava de tomar uma, ele ficou desconfiado e pediu outro especialista em alemão pra traduzir, dessa vez foi um advogado, esse também não perdeu tempo, leu de um fôlego só: “ Minha situação jurídica encontra-se tão conturbada que esqueci por completo de mandar o registro do imóvel. Espero vê-lo o mais breve possível para resolvermos um processo de estupro em que me encontro envolvido. Abraços, Freud”. Aí a desconfiança do escritor aumentou, tava na cara que um dos dois traduziu errado, mesmo assim ele não desistiu, procurou um intelectual amante da poesia alemã. O homem tava numa merda, a mulher tinha fugido com a manicure, mesmo assim fez questão de contribuir, traduziu sem precisar dos óculos: “Estou atravessando uma fase péssima, desconfio que minha mulher anda dando bola pra Jung, assim que o adultério for confirmado, mando lhe avisar. Pra aliviar este desconforto, arrumei um caso com o jardineiro do vizinho. Abraços do seu conformado amigo Freud”. Aquilo já estava parecendo brincadeira, mesmo assim ele continuou tentando. Por último foi um dentista o tradutor. Ele era neto de alemão e traduziu sem fazer esforço, só não entendeu direito a assinatura: “Caro amigo odontólogo, estou com o molar inferior causando fortes dores no maxilar, mas assim que esta nevralgia desaparecer eu lhe comunico. Do seu Freud”.
Com aquelas quatro traduções completamente contraditórias e o livro passando da hora de ser publicado, o jeito foi pegar todo o material (traduções) e mandar pra um jornalista que se dizia conhecedor dos idiomas europeus. Este passou quinze dias analisando as traduções e o texto original, o escritor se animou, pela demora parecia que ia sair alguma coisa séria, mas quando ele leu o resultado de quinze dias de trabalho apresentado pelo jornalista, teve uma crise nervosa: “Caro amigo, minha blenorragia piorou depois que minha mulher fugiu com Jung e eu enlouquecido de dor de dente perdi a cabeça e estuprei o jardineiro do vizinho. Espero contar com sua amizade não publicando esta tragédia em seu jornal”. Depois dessa o jeito foi publicar a carta original.
Tempos depois a carta foi realmente traduzida, não passava de um bilhete do Dr. Freud se livrando de uma papelada enviada por um dos inúmeros pesquisadores chatos que o incomodavam na época.

quarta-feira, 2 de outubro de 2019

RICARDO DE BENEDICTIS - CRÔNICA

“ELE NÃO TEM CARÁTER”
Ricardo De Benedictis
Lembro-me de um dos programas ‘RODA VIVA’, da TV CULTURA/SP, quando o entrevistado foi o grande escritor baiano, João Ubaldo Ribeiro, em uma das suas últimas aparições públicas, antes de falecer.
Na oportunidade, perguntado o que ele achava do caráter de Lula, ele disse sem pestanejar: “Ele não é bom nem mal caráter, uma vez que ele não tem caráter”.

Há poucos dias, perguntando a um amigo o porque de outro amigo de papos não estar mais aparecendo para trocar idéias, ele disse-me que o amigo sumido lhe explicara que não iria mais aos nossos bate-papos, uma vez que “eu era muito certo de estar com a razão em tudo”. E que ele não aceitava a minha posição.

No primeiro instante deixei passar. Depois fui pensar sobre o assunto e concluí que não sou radical, mas ele sim. Verificando seu rol de amizades, é fácil compreender. Um dos poucos amigos do grupo que não vota em Partido, sou eu. No meu rol de amizades, convivo com pessoas que pensam diferente, oferecem suas opiniões e mesmo que haja conflitos, nunca, nos meus quase oitenta anos de idade, nunca deixei de ser amigo de alguém, apenas porque pensa diferente de mim. Cheguei à conclusão de que o amigo em tela, é ‘o esquerdopata’ de que tanto se fala e que eu tinha dificuldades de identificar.

Gostaria de encerrar essa reflexão garantindo de que os radicais de direita e de esquerda sempre se distanciaram de mim. Minhas opiniões são claras, não me julgo melhor nem pior, mas acho que há uma regra que deve ser imutável na Democracia. Uma delas é a ‘convivência dos pensamentos contrários’. Imaginem, amigos, que para manter uma amizade teríamos que abrir mão da única virtude que nos levará ao túmulo: A CONSCIÊNCIA. Pois bem. Sinto-me triste, mas não mais me abalam tais comportamentos. Se um dia ele reaparecer, e acho que isso pode acontecer, o receberei de braços abertos, sem perguntar nada ou repreendê-lo. Às vezes, necessitamos de uma espécie de ‘retiro’ para por as coisas na ordem. Amigos de muitos anos não devem se deixar levar por paixões meramente ideológicas para se afastarem.

Já perdi alguns amigos por falhas em compromissos, grandes prejuízos, traições, etc. Perder amigo apenas por pensar diferente, é a primeira vez.

La prima volta, como diria o italiano, meu pai.

Não sei se o amigo vai voltar. Espero que sim. Mas, de antemão, garanto que não vou mudar meu pensamento sobre o que penso, a não ser que seja convencido, no plano das idéias. No mais, peço a Deus que lhe dê tirocínio, já que trata-se de uma pessoa culta e de certa inteligência, e que possa voltar para nosso reencontro. Caso contrário, paciência. Não o ofendemos pessoalmente, apenas temos pensamentos diversos sobre comportamentos radicais da direita e da esquerda. Para mim, ambas são ridículas e eu não consigo adotá-las.
Até a próxima.

terça-feira, 1 de outubro de 2019

"POETAS, SERESTEIROS, NAMORADOS, CORREI"!

EDITAL : 1º CONCURSO DE POESIAS “INCONFIDENTE MINEIRO”

O Cerimonial & Hostel “Inconfidente Mineiro” vem através do presente Edital tornar Público regras e normas do 1º Concurso de Poesias “Inconfidente Mineiro”, e conveniar, perante a Sociedade Literária brasileira, e de outros Países que professarem a Língua  Portuguesa, que realizará no dia 1º de Dezembro de 2019, em sua sede à Av. Deputado Anuar Menhem, 1075 – Bairro Santa Amélia, Belo Horizonte – MG, que transcorrerá da seguinte forma:

1º) O Hostel & Cerimonial distribuirá em prêmio, a ser pago, às suas expensas, em até 30 (Trinta) dias após o resultado, em espécie, mediante deposito na Conta bancária indicada pelo Concursando, se não houver outro meio mais fácil e conveniente, a seguinte premiação:
1º Lugar : R$800,00 (Oitocentos) Reais ao Concursando que pontuar o Primeiro Lugar;
2º Lugar : R$500,00 (Quinhentos) Reais ao Concursando que pontuar o Segundo Lugar;
3º Lugar : R$300,00 (Trezentos) Reais ao Concursando que pontuar o Terceiro Lugar;
4º Lugar : R$200,00 (Duzentos) Reais ao Concursando que pontuar o Quarto Lugar;
5º Lugar : R$100,00 (Cem) Reais ao Concursando que pontuar o Quinto Lugar.
2º) Cada um dos Concursandos Premiados receberá Certificado alusivo ao Prêmio, devendo a Poesia concorrente ser inédita e autoral, do próprio Inscrito, declarando desde o ato da Inscrição que autorizam o Hostel & Cerimonial a Publicar, às suas expensas, Livro alusivo, para divulgação e promoção dos Ganhadores, sendo tal Publicação mera possibilidade e concessão, de acordo com a conveniência do Hostel, abrindo mão do Direito Autoral e de Paga para tal ensejo, que poderá ocorrer, ou não.
3º) O Hostel constituirá uma Comissão de Notáveis, Escritores, Músicos, Artistas ou Professores, a seu bel prazer e arbítrio, no máximo com 05 (Cinco) Membros, que se incumbirá, na véspera do Dia 1º/12/2019, em Sessão que poderá ser Pública, aberta aos participantes e público em geral, ainda que meramente como plateia, em horário a ser estabelecido, na Sede do Hostel, onde serão analisados os Trabalhos, Poesias inscritas, sendo admitido um único Texto, ou Poesia, por pessoa, em que cada um dos Membros votará a que mais lhe agradar, tanto em estilo de linguagem forma e tema, segundo critérios subjetivos do próprio Membro, oportunidade em que, após depurados os melhores 05 (Cinco) Trabalhos, a própria Comissão atribuirá aos 05 (Cinco) Trabalhos vencedores, nota de 01 a 10, classificando-se em Primeiro Lugar, e assim sucessivamente, o Trabalho que mais pontuar, em caso de Empate, realizando nova Votação, até que seja apurado um Numero Ordinal de Classificação.
4º) O Tema da Poesia Inscrita será Livre, bem como seu Estilo Literário, não podendo, contudo, o Trabalho Inscrito ultrapassar uma Folha de papel Ofício digitalizada em fonte “Verdana” Tamanho “12” do Word.
5º) Os Trabalhos inscritos serão necessariamente enviados em Envelope lacrado Tamanho Ofício, via Carta Registrada com Aviso de Recebimento, através dos Correios, aos cuidados do Hostel & Cerimonial Inconfidente Mineiro, à Av. Deputado Anuar Menhem, 1075 – Bairro Santa Amélia – Belo Horizonte – MG, constando apenas o Endereço do Remetente, e as iniciais do seu nome (Ex: Carlos Drummond de Andrade: “C.D. Andrade”, ou Manoel de Barros “M. Barros”), a fim de preservar a sua Identidade, onde será depositado o Texto, ou Poema, inscrito, assinado por Pseudônimo do Autor, que omitirá o seu nome real, em Folha Tamanho Ofício, Fonte 12 Verdana, com uma Lauda, junto com Envelope menor, ½ Oficio, Lacrado, mantendo assim a Isenção da Comissão de Notáveis, que desconhecerá a Autoria do Remetente, contendo o Envelope Lacrado os dados do Autor, nome real, CPF, Identidade e Endereço, que somente será Aberto no dia da Votação, quando da Classificação, véspera de 1º/12/2019, e cópia xerox do comprovante de Depósito do Valor da Inscrição.
6º) A Taxa de Inscrição será de R$20,00 (Vinte) Reais, em espécie, não restituíveis, a ser depositado no Banco Itaú, Conta nº  38.139-5, Agência nº  3076, em favor de Antuérpio Pettersen Filho (Restaurante Inconfidente Mineiro), CNPJ Nº 28211624-000177, sendo o não deposito condição de automática exclusão do Inscrito, mesmo que avaliado. 
7º) Será emitido Certificado de Participação, de todo e qualquer Inscrito, a ser enviado para o Endereço do Remetente, até 30 (Trinta) dias após o Resultado.
8º) Os casos Omissos, e Controvérsias por ventura existentes no Presente Edital, e Concurso, poderão se Avaliados, de plano, oralmente, pelo interessado, quando da proclamação do resultado, ou mediante recurso Escrito, e Enviados via Correios, em Carta Registrada, via Administrativa, para o Hostel, aos Cuidados da Comissão de Notáveis, que em conjunto com o Hostel, as avaliará, até 30 (Trinta) dias após o resultado, admitindo ou negando os seus termos, conforme esse Edital.
9º) O Prazo de Inscrição inicia-se com as Inscrições realizadas em 1º/10/2019 até o Dia 15/10/2019.
10º) Os Trabalhos Inscritos e não premiados, serão em todo caso incinerados, podendo ser restituídos no local do Evento em até 30 (trinta) dias pelos interessados.
11º) Os Inscritos que por ventura se hospedarem no Hostel durante o Fim de Semana do Evento, de Sexta Feira até a Manhã de Segunda Feira, caso agraciados entre a 1ª e 5ª Colocação, serão isentados de Diária/Pernoite, a não ser despesas de Consumação, Bebida e Comida, que realizarem.
12º) No dia 1º/12/2019, quando da proclamação do Resultado, ocasião que será realizado Sarau Poético com a presença de Musico, será cobrado Couvert Artístico de R$5,00 (Cinco) Reais por pessoa.
13º) É completamente vedado aos Promotores, Hostel, e à Comissão de Notáveis, ou a qualquer Interessado ou Colaborador direto no Evento incluírem Trabalhos próprios, ou de Parentes, Amigos, que venham causar suspeição ou influenciamento no Resultado.
Elegem as Partes, o Hostel, e os que se Inscreverem, para sanar qualquer controvérsia, omissão e nulidade, o Fórum de Belo Horizonte/MG.
Belo Horizonte, 04/09/2019.
_________________________________
ANTUÉRPIO PETTERSEN FILHO
HOSTEL & CERIMONIAL INCONFIDENTE MINEIRO



Antuérpio Pettersen Filho, membro da IWA – International Writers and Artists Association, é advogado militante e assessor jurídico da ABDIC – Associação Brasileira de Defesa do Individuo e da Cidadania, que ora escreve na qualidade de editor do periódico eletrônico “Jornal Grito do Cidadão”, sendo a atual crônica sua mera opinião pessoal, não significando necessariamente a posição da Associação, nem do assessor jurídico da ABDIC. 
Duvidas e Omissões poderam ser aferidas no tel/zap 31-996650965 ou site www.inconfidentemineiro.com.br

sábado, 28 de setembro de 2019

RICARDO DE BENEDICTIS - CONTO:

BANHO NA ‘CACHOEIRINHA’ GERA BRIGA QUE CEIFOU DUAS VIDAS E DEIXOU FAMÍLIAS ENLUTADAS EM POÇÕES
(baseado em fatos reais)
Ricardo De Benedictis
Uma farra entre amigos que terminou em tragédia, marcou a década dos anos 1970 em Poções.

De um lado, a família de Zizio Pernambucano, do outro, a família Almeida, ambas guardam em sua memória aquela trágica tarde que movimentou negativamente a então pacata cidade do sudoeste da Bahia.

Segundo relatos de Florisvaldo Rodrigues, o Marquês da Serra Preta, Diva, que era filho caçula de Hermenegildo Almeida, de tradicional família poçoense, irmão de João Almeida (prócer do pmdb e candidato a prefeito), de Manoelzinho Açougueiro (assassinado por um desafeto, com uma facada meses antes), do pedreiro Joaquim Almeida, que construiu a Igreja Matriz nova em Poções, entre outros, e mais alguns integrantes das famílias envolvidas na tragédia, que se consumou na entrada da oficina de Zu Latoeiro, localizada na Av. Cônego Pithon, no centro da cidade.

O FATO
Como estampa a manchete da matéria, Diva Almeida, irmão caçula ‘dos Almeida’ que tomava banho com uma ou duas garotas na ‘Cachoeirinha’, aprazível local de lazer da cidade, fora de lá expulso por Zizio Pernambucano, homem temido, aparentemente pacato, mas que levava fama de pistoleiro, que estava nas imediações e achou aquilo um atentado ao pudor.

Dias depois, quando inspecionava seu veículo na oficina de Zu Latoeiro, Zizio foi surpreendido por Diva Almeida, empunhando um revolver 38, acompanhado pelo amigo e contra-parente, apelidado de Preto,  dispararam alguns tiros contra Zizio Pernambucano, que teria interrompido seu banho com algumas garotas.

Zizio, mortalmente atingido, reagiu e partiu pra cima de Diva e de Preto, com uma peixeira (faca de açougueiro), em punho, levando vários tiros.  A cena contou com a chegada de Tião, irmão de Zizio que vinha em seu socorro, de arma em punho. Diva se protegeu atrás de um veículo ali estacionado e atirou mais vezes, enquanto Zizio, mortalmente ferido, avançava para ele e para Preto de Benzinho com a peixeira em riste. Neste entrevero, morreram Zizio Pernambucano e Preto, filho de Benzinho, cunhado de Diva, atingido por Tião, irmão de Zizio.

Segundo informações, Preto recebeu um tiro certeiro na testa, já que Tião era exímio atirador e mesmo à distância conseguiu atingir o alvo.

Após o incidente, Zizio Pernambucano foi levado ao Hospital local, mas logo os médicos constataram sua morte. Houve invasão do hospital por Benzinho que queria vingar-se da morte do filho, mas a situação foi contornada com a notícia da morte de Zizio.

Após o fato, Tião fugiu para lugar incerto e não sabido, havendo rumores de que teria ido para o município de Contendas do Sincorá, enquanto a família transferiu-se para Vitória da Conquista.

sábado, 21 de setembro de 2019

NANDO DA COSTA LIMA - CONTO


RAZÃO
Nando da Costa Lima
  Sou puta... não me restou outra escolha, é a vida! Sou cria duma das muitas favelas desse nosso País! A única pessoa que ainda me lembro com carinho é a minha mãe..., uma mulata de rosto arredondado que parece ter vindo ao mundo para sofrer. Ela, tenho certeza, sofreu mais do que eu! E isto às vezes até me serve de consolo. Meu pesadelo começou quando eu tinha nove anos, parece mentira, mas eu só tinha esta idade quando meu padrasto me “usou” pela primeira vez... minha mãe, coitada, não pôde fazer nada. Teve que ficar com meus dois irmãos enquanto ele me comia, ainda tentou esconder o que se passava tapando os olhos dos meninos, mesmo assim meus gritos assustaram... eles choraram o tempo todo. Eu lembro que depois que acabou tudo minha mãe não sabia se me lavava ou se me abraçava,se sentia culpada por aquilo tudo. Depois desse dia minha vida, que já não era boa, virou um inferno, eu ficava imaginando quando chegava o fim de semana. Era só ele beber além da conta que acontecia tudo de novo. Um dia ele bateuem mãe só porque ela tentou me esconder no barraco da vizinha. Nunca mais me escondeu... quando ele chegava ela saía com os meninos e me deixava só... naqueles momentos o tempo parecia parar, eram horas de tortura até ele conseguir se satisfazer, eu fechava os olhos e ficava rezando e chorando até ele acabar. Teve uma vez que ele chegou acompanhando de um velho, os dois estavam bêbados. Meu padrasto cochichou no canto do barraco com minha mãe, mas deu pra eu escutar: aquele velho era o dono do buteco que meu padrasto bebia e fazia compras, ele ia pagar uma dívida com o meu corpo. Mãe saiu correndo e chorando, nem quis ficar pra ver...
Mamãe sempre me dava um remédio amargo pra beber, dizia que era pra eu não emprenhar daquele safado, mas mesmo vivendo daquele jeito ainda dava pra notar que ela gostava dele, tinha até ciúme! Eu já tava ficando moça antes do tempo e ela vivia tentando esconder minhas pernas e meus peitos que estavam começando a aparecer. Isto também levou meu padrasto a ficar diferente comigo, começou a trazer até doce de presente. Aquilo deixava minha mãe doente, e eu, menina com apenas onze anos, recebia e agradecia os doces já sabendo que mais tarde pagaria com meu corpo. Teve uma noite que mãe me chamou e falou que em pouco tempo ela ia me livrar daquele sofrimento, disse quase chorando. Imaginei que a gente ia fugir pro interior, ela sempre me contava de uma irmã que morava na roça.
       Só depois que encontrei os dois mortos é que fui entender porque ela me garantiu que ia me livrar daquela vida. Deve ter sangrado ele na hora que tava dormindo, morreu na cama. Só não entendi porque ela tirou a própria vida por causa daquele traste... a vizinha falou que foi por amor, parece brincadeira...
      Sou puta seu delegado..., e se tirei a vida da minha filha com apenas dois dias de nascida, o senhor pode ter certeza que tive ra

JEREMIAS MACÁRIO - CRÔNICA

A ESCORCHA NOS PREÇOS DA
                           GASOLINA EM CONQUISTA
É uma vergonha! Ninguém consegue conter o cartel da gasolina em Vitória da Conquista, e os consumidores não têm mais a quem apelar. Foi só a Petrobrás reajustar os preços nas refinarias, e no outro dia muitos postos já estavam com novas tabelas de aumento, mesmo com estoques anteriores adquiridospelo custo inferior ao anunciado pela estatal nesta semana.
É muita ganância dos empresários do setor, que montaram uma verdadeira escorcha nos preços dos combustíveis na praça de Conquista, considerados um dos maiores do estado, como já ficou comprovado em pesquisas feitas pela Câmara Municipal e pelo testemunho de cidadãos que sempre estão viajando em trabalho e em atividade de lazer.
Não é justificável
  O pior de tudo é que esta escorcha não é justificável porque os comerciantes adquirem o produto nas unidades de distribuição de Jequié a uma distância de 150 quilômetros, portanto, um frete bem menor que cidades da região, para não citar outras fora do nosso perímetro. Eu mesmo comprovei isso há pouco tempo quando em viagem para Juazeiro, passando pela Chapada Diamantina até o norte da Bahia.
  É um absurdo o que está acontecendo! A Câmara de Vereadores de Conquista, juntamente com o Ministério Público, OAB e outras instituições, prometeu dar uma resposta através de uma comissão de inquérito, mas continua o silêncio que perturba o espoliado consumidor que não tem a quem mais recorrer, a não ser ao Papa, ou ao bispo da arquidiocese que está mais perto de nós.
 Fizeram tanta zoada no legislativo municipal e na mídia, em forma de denúncias, que todos acreditaram que agora o cartel e a escorcha seriam quebrados, com multas e penalidades pelo crime contra nossa economia. Como tudo neste nosso Brasil de conluios e conchavos, até agora não deu em nada.
  Com o novo aumento nas refinarias, o litro da gasolina na cidade já está beirando os R$4,90 e os R$5,00 o litro, e não adianta pesquisar e andar muito porque a diferença é coisa de dois ou três centavos. Por que os preços dos combustíveis em Conquista são tão altos? Será que é por causa do poder aquisitivo da população? Porque aqui é uma suíça baiana, como muitos chamam!
Uma cidade cara
Aliás, não é somente a gasolina. Nos últimos anos, Vitória da Conquista tornou-se em uma das cidades da Bahia mais caras para se viver, talvez a mais. Muitos produtos e serviços, como o seguimento imobiliário, aqui ofertados se igualam aos de Salvador em termos de custos. Até há pouco tempo, Conquista tinha fama de ter um comércio onde se adquiria mercadorias baratas, com preços mais baixos, em conta. A cidade cresceu e isso já não existe mais, por conta da ganância capitalista, como ocorre no caso dos combustíveis.
  Assim fica difícil atrair turistas e visitantes como porta de entrada para cidades da Chapada Diamantina, conforme é intenção de um movimento de empresários, principalmente com o novo aeroporto que logo vai estar defasado. Não é somente o aeroporto que vai trazer mais desenvolvimento. Sempre tenho dito que Conquista precisa ser repensada em muitos pontos, inclusive a nível cultural, para atrair mais investimentos e gente de outros estados.
Mas, o nosso caso específico é o alto preço da gasolina, considerado um escândalo, e que está deixando muita gente de cabeça quente e sem dormir direito, especialmente taxistas, aplicativos do Uber, prestadores de serviços de transportes e vendedores que sempre estão viajando para comercializar seusprodutos. Para o pobre do tipo classe média baixa, está difícil manter um carro em Conquista com esse cartel da gasolina.

sábado, 14 de setembro de 2019

NANDO DA COSTA LIMA - CONTO:

HOJE POR MIM...
Nando da Costa Lima
 Daqui as coisas sâo bem diferentes, dá até pra pensar no que pas­sou, eu não queria que fosse desse jeito, mas quando a gente co­meça descer não consegue parar, vai até o fundo. Minha infância não foi das melhores, tive que trabalhar duro na roça, vim pra cidade já adolescente e fui logo me apaixonando pela boa vida, fiquei obcecado pelas mordomias da cidade grande. Decidi que ti­nha que enriquecer, virar patrão. Isso eu não tirava da cabeça. Depois de trabalhar três anos e não conseguir nem me alimentar direito com o salário, vi que estava no caminho errado, honestamente não dava pra ficar rico nem se vivesse mais 500 anos. Comecei vender contrabando, no início até que dava, depois todo mundo começou fazer a mes­ma coisa e o meu comércio foi por água abaixo, ainda bem que com o dinheiro que sobrou eu comprei sete tarefas de terra aqui perto. Comecei a trabalhar a terra e me casei logo em seguida, só fiz isso porque o pai da mulher era meu vizinho e dono de quase cem alqueires de terra. No começo as coisas correram bem, o sogro me davatudo e meu sftio que antes não tfnha nada se transformou .num paraíso, tinha de tudo ! Aí eu comecei achar quetava peque­no, como a mulher era filha única, passei a imaginar uma forma de dar fim no sogro. Um dia tomei umas a mais e criei coragem, apro­veitei que o velho tinha ido correr a manga sozinho, armei uma emboscada e furei o homem todo de 44, ninguém ficou sabendo quem foi, meu sogro também não era flor que se cheirasse, já tinha jogado muita gente pra trás e o crime foi logo esquecido. Com mi­nhas sete tarefas e mais os cem alqueires da mulher me tornei o maior proprietário da região, besta eu nunca fui; fiz minha fortu­na triplicar em pouquíssimo tempo, é claro que pra isso tive que ti­rar muita gente do caminho. Comecei com um vizinho de cerca que não quis vender a terrinha, deixava o jumento passar para minhas terras quase todo dia, aquilo me enfezou tanto que tive de matar o jumento e o dono. Desse dia em diante eu decidi que a melhor ma­neira de resolver meus assuntos era na base da bala, pra mim o úni­co advogado de confiança passou a ser um 38 cheio até a tampa, ali sim, eu botava fé, ou o sujeito assinava o documento de venda se borrando de medo, ou então ia pro inferno e a viúva assinava. Eu já tinha terra que dava pra engordar dez mil bois e vários cri­mes nas costas. Teve um sujeito que eu matei por amizade. Isto é, matei porque ele mexeu com a mulher de um amigo, sentei fogo no safado. Depois de muito tempo é que descobri que a safada era ela, não ele. Mas aí minha consciência já estava anestesiada, quando o povo falava que depois da terceira morte a gente esfria­va eu pensava que era brincadeira, mas é certo, chegou um tempo que eu acabava de matar um e ia dormir como se nada tivesse acontecido. Não posso negar, consegui meus objetivos ! Não é qualquer um, muito menos o filho de um vaqueiro, que consegue uma das maiores fortunas do Estado aos quarenta anos. Só errei numa coisa, acreditei demais na minha valentia, nunca imaginei que alguém tivesse coragem de tentar alguma coisa contra mim, vacilei pensando ser o único que não prestava e acabei aqui! On­de estou, as terras que consegui de nada valem. Daqui desse caixão, com o corpo todo furado de balas, inclusive uma no meio da testa que deixou meus olhos abertos, estou vendo tudo que se passa em meu velório, se é que pode chamar isso de velório, só tem duas pessoas ! E logo os dois que planeja­ram minha morte, eu vi na hora que aquele amigo meu que eu ma­tei por ele chegou por trás de minha mulher e falou sobre o suces­so do assassinato, ela ainda comentou que ruim do jeito que eu era ninguém ia saber quem foi. O que mais me chateou foi quando entraram quatro homens que eu nunca vi mais gordos ! Fiquei sa­bendo que eram carregadores quando um deles disse para os ou­tros que o sacana do defunto era tão miserável que nâo tinha um amigo, a mulher teve que contratar eles para levarem o caixão. Fo­ram eles que me deixaram a par das festas que estavam aconte­cendo na cidade por eu ter morrido, pode até ser que eles exage­raram na narrativa, mas antes de fecharem o caixão eu escutei o barulho dos foguetes vindo de todos os lados... Parecia até que era dia de São João.