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sábado, 9 de março de 2019

JEREMIAS MACÁRIO - CRÔNICA

A DEMOCRACIA E A LIBERDADE SÓ SE AS FORÇAS ARMADAS QUISEREM.
DEMOCRACIA NÃO É FAVOR DOS MILITARES AOS CIVIS
JEREMIAS MACÁRIO
Não existem equívocos nem dúvidas nas palavras destrambelhadas e autoritárias do capitão. Sem essa de que não foi bem assim e tentar disfarçar com outras interpretações fajutas de que não foi isso que quis dizer. Faz parte da estratégia inocular aos poucos e em doses homeopáticas a pílula dourada do medo, ou amarela, de uma doutrina de ufanismo nacionalista retrógradofascista. Existe um esquema silencioso e lento de repressão. Está difícil explicar e traduzir.
Existe uma plataforma obscurantista com o sonho de amordaçar e perfilar a sociedade brasileira nas fileiras militares de uma ordem e disciplina ao modelo deles, colocando a democracia e a liberdade na comissão de frente para impressionar os incautos. Sempre tenho dito que só estamos no começo introdutório da peça e vem muito mais coisa por aí.
  Há cinco ou seis anos ninguém acreditava que a marcha da extrema-direita iniciada com as intransigências e intolerâncias dos evangélicos e seus aliados conservadores chegaria ao poder. Agora ninguém teme que a liberdade de expressão esteja sendo minada porque temos as instituições do judiciário, do legislativo e da própria mídia mimada para defendê-la.
 Em pouco mais de dois meses do governo do capitão, comandado pelos nove ou dez generais, só ouvimos impropérios e estupidez dele, de seus filhos aloprados, de ministros e políticos que seguem a cartilha de levar o Brasil ao primitivismo. Ainda não saíram do palanque do ódio e do rancor contra as esquerdas e Lula que está preso em Curitiba. São apelações para a falta de argumentos, e olha que a oposição continua opaca e muda.
A LIBERDADE E AS FORÇAS ARMADAS
  Nesta semana brotou mais um vitupério da boca do capitão de que a democracia e a liberdade só existem quando as forças armadas assim desejem e queiram. Não existem subterfúgios para uma declaração desse quilate. Quer dizer, então, que se de uma hora para outra os militares decidirem não mais querer a liberdade, ela será imolada, passando por cima das fracas e desacreditadas instituições. Na concepção deles, ditadura só existe de esquerda. De direita é ordem e disciplina.
  Não dá para ficar engolindo explicações enganosas de contemporização  onde cada um interpreta ao seu modo. O recado foi bem claro e não há espaço para enrolação de que não foi bem assim. Continuam nos tratando de burros e idiotas, se bem que poucos tenham percebido isso. Nesse vai e vem de réplicas e troca de definições da fala do capitão, o mais afrontoso foi que a sociedade brasileira ficou de fora como guardiã e conquistadora da democracia e da liberdade.
 É como se ela, a população, não contasse e, passivamente, aceita o que vem do alto. Os políticos ofendidos (outros das fileiras bolsonaristas concordaram), por exemplo, só citaram o judiciário e o legislativo que estão atentos para lutarem pela liberdade. Logo esses poderes de imagem arranhada que perderam a credibilidade. Como sempre, o povo ficou de fora, como se tudo já estivesse dominado.
  Não se enganem que os generais, por mais moderados que sejam, vieram de uma Escola Superior de Guerra com estratagemas planejadas, cujos maiores instrutores sempre foram o oficialato dos Estados Unidos. A forma de oprimir não é a mesma do golpe civil-militar de 1964, que eles mesmos negam ter existido.
 A intervenção agora está sendo feita de maneira branca com o aval do voto popular e com o consentimento de uma maioria desavisada que acha que tudo isso de opressão é coisa maluca das esquerdas. Infelizmente, poucos conhecem nossa história e, por isso, ela é fácil de ser repetida, de acordo com cada tempo e em cada situação política, econômica e social.
 Vamos recapitular o que vem acontecendo nestes poucos mais de dois meses de novo governo, sem reação firme dos intelectuais, estudantes, artistas, professores e da parte mais instruída da sociedade, a não ser manifestações de ódio pelas redes sociais. Existe um silêncio sepulcral da oposição. A impressão é que estamos sendo dopados lentamente por uma droga inofensiva considerada de besteiras sem importância.
  Comecemos pelo menino veste azul e menina veste rosa. Aluno tem que estudar onde moram os pais. Cantar o hino nacional perfilados. Até ai nada a opor, mas sem o perfilado. Ler uma carta do MEC com os dizeres do slogan do capitão “Brasil acima de tudo. Deus acima de todos”, e ordenar que os diretores filmem os estudantes. Eles querem uma escola que não pense, e não uma escola sem partido. A troca de farpas entre um filho do capitão e um ministro, chamando-o de mentiroso. O outro filho que tripudiou da morte do neto de sete anos de Lula. A “ajuda humanitária” aos venezuelanos a mando do Trump para instigar mais revoltas. O capitão de Belo Horizonte que disse que não ia tolerar críticas políticas no carnaval. O vídeo obsceno de um homem nu no carnaval, divulgado na rede pelo capitão-presidente foi demais! Escandalizou!
O mesmo que bate continência para a bandeira norte-americana, elogia a ditadura daqui e a do Alfredo Stroessner do Paraguai, incensa a democracia, para disfarçar os desavisados. É demais a cara de pau demagógica de que as duas únicas mulheres do seu governo valem por 20 homens!Por último, a democracia e a liberdade sobre o cabresto das forças armas, e muito mais monstros do medo rondam nossos lares.
Quanto ao slogan “Brasil acima de tudo”, trata-se de plágio de um mote nazista dos anos de 1930, “Alemanha acima de tudo”. É também o verso de uma canção nacionalista do século XIX. São passados míticos de segunda mão, próprios de regimes disciplinadores e opressivos. O “Deus acima de todos” prega um Onipotente autocrático do Velho Testamento. E se o Brasil está acima de tudo, como poderia Ele estar acima do Brasil? Deus não está nesta disputa.

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