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sábado, 29 de setembro de 2018

NANDO DA COSTA LIMA - CRÔNICA (HISTÓRIA DE CONQUISTA)

DINO CORREIA
Nando da Costa Lima
            Quando Olímpio Carvalho mandou dizer pra Dino Correia ir pro Verruga (ITAMBÉ) preparar o café que ele ia levando os biscoitos, o coronel Dino sentiu que os parabelluns iriam ser usados novamente. Ele tinha saído da política de Conquista, voltou pro Arraial de Macarani já na intenção de  descansar! Há pouco tinha chefiado e saído vitorioso na luta entre Meletes e Peduros, grupos políticos que disputa­vam o poder em Conquista no inicio do século.
Olímpio morava em Mata de S. João, tinha uma fazenda no "Catolezinho", mas sempre estava no Verruga onde tinha muitos amigos, andava sempre acompanhado de homens armados e durante muito tempo foi usado pelos coronéis pa­ra realizar os serviços onde era necessário o uso da força. Ea uma espécie de cobrador! Além das amizades. ele tinha uma mulher no Verruga que não podia flcar muito tempo sem ver, Rosinha de Olímpio era respeitada, quando ele che­gava pra suas visitas as festas varavam a noite e eram rega­das com as bebidas mais finas da época. O vinho Constantlno era o preferido do anfitrião, e a sanfona bem tocada por ele é que animava o ambiente.
Coronel Dino se desentendeu com Olímpio depois que seus camaradas "pousaram" em Macarani vindos de uma empreitada e quiseram bagunçar o lugar. Dino não gostou e botou a jagunçada pra correr "debaixo de pau", Olímpio se sentiu humilhado e mandou aquele recado desaforado sa­bendo que estava mexendo com um adversário forte, era o encontro de dois grandes guerreiros, homens que marcaram seu tempo!
Quando Olímpio chegou com os biscoitos Dino já tinha "preparado" o café há muito tempo, o genro de Olímpio foi quem deu o primeiro tiro, que apesar de não ter atingido nin­guém serviu de estopim...., foram dois dias de fogo cerrado. No início da luta morreu um camarada de Dino. À noite a briga engrossou, um homem morreu tentando entrar na casa que seu chefe estava entrincheirado e ficou dois dias desenterrado debaixo dos tiros... O pessoal de Olímpio capturado foi todo fuzilado, ele conseguiu fugir com alguns companheiros pro outro lado do rio graças à sua habilidade. A perseguição continuou até sua fazenda no Catolezinho onde ele novamente conseguiu fugir de uma maneira que levou seus perseguidores a acharem que ele tinha parte com o "demo". O homem "invurtava", disso ninguém tinha dúvida! Conseguir sair daquela casa cercada por mais de trinta homens com toda família sem ser notado, era coisa de feitiçaria. Maneu Pacheco, um dos perseguidores, ficou tão encabulado com o sumiço do homem que enlouqueceu e matou dona Brigida (amiga de Olimpio), tinha certeza que era ela a responsável pelas “invurtações”, mas àquelas alturas ele já tinha escapado pra Diamantina... Permanecer na região seria o seu fim.
Veio a revolução de trinta, o governo queria por fim ao coronelisno antes motivado por ele. Foram tomadas as armas dos civis para que a ditadura fosse implantada sem proble­mas, era o início do fim de uma época onde os homens eram rudes por uma exigência do meio. Todos viviam preparados para matar ou morrer, só no Verruga, quando o tenente, a serviço do governo, ameaçou fuzilar quem tivesse escondendo armas apareceu "pau de fogo" que deu pra carregar uma tropa de oito bur­ros. Olímpio foi preso pelo exército em Diamantina e julgado em Conquista onde depois de cumprir pena continuou morando e traba­lhando como armeiro até sua morte em 1933. Dino Correia faleceu em 1928 ainda jovem....,talvez tenha sido me­lhor para o guerreiro não alcançar a revolução de 30, com seu jeito de ser, não iria aceitar ser mandado depois de tanto tempo mandando.

domingo, 23 de setembro de 2018

PENSAMENTOS de RICARDO DE BENEDICTIS

MÃE
Pelos relatos de amigos e até por textos de desconhecidos, tenho  como senso comum entre os homens, que em seus últimos lampejos de consciência, quando sentem a iminência do evento morte, a última frase que dizem ou pensam, está relacionada à mãe.
Por mais errada que seja a sua conduta, o homem não quer que a mãe pense ou diga que ele não presta! Mãe! Palavra final que vem à boca dos moribundos. Bons ou maus!