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sábado, 30 de março de 2019

NANDO DA COSTA LIMA - CONTO

DÍVIDAS POR DÍVIDAS
 Nando da Costa Lima
Quando Teotônio chegou a Salvador com três malas de courode seu recém-lançado livro “Dívidas por Dívidas”, tinha quase certeza que ali as coisas correriam bem. Os dois primeiros lançamentos haviam fracassado (um em Pernambuco e o outro na Paraíba), segundo ele, o povo dali estava engatinhando culturalmente. Neste terceiro lançamento ele resolveu deixar tudo por conta de um primo, sua obra seria bem melhor representada por um jovem estudante, aquele trabalho futurista teria bem mais saída sendo apresentado por gente nova. Deixou os 480 volumes na mão de Miranda e voltou pra Santo Amaro. Ficou resolvido que assim que os livros fossem vendidos o dinheiro seria enviado.
       O estudante se sentiu nas alturas ao receber aquela incumbência, um escritor deixar sob sua responsabilidade toda sua obra, ele tinha que caprichar no lançamento! A primeira tentativa de lançamento foi na escola, não vendeu nenhum, mas estudante nunca teve dinheiro mesmo! Da segunda vez ele bolou um plano que não podia falhar, deu um almoço festivo e relançou “Dívidas por Dívidas”. Deu sorte que uma senhora derramou uma caneca de vinho numa pilha de livro e melou sete, o marido fez questão de pagar! Depois disso o estudante fez mais quatro tentativas, lançou até num jogo de futebol entre casados e solteiros, só vendeu um! Na falta da moeda para tirar cara ou coroa, usaram um livro que foi pisoteado pelos perdedores. Cansado de fracassar nos lançamentos, resolveu colocar a obra de Teotônio em exposição nas livrarias, assim ficaria mais aliviado daquele fardo. Percorreu todas as casas especializadas em livros da cidade, ninguém quis ficar com nada, a sorte foi que uma grande livraria cujo dono era muito amigo do seu pai resolveu dar uma força, o rapaz deixou logo os 472 volumes restantes na mão do gerente. Agora era torcer para que o livro tivesse saída e ir receber o dinheiro, a livraria tinha experiência com esse tipo de coisa, e mesmo que não vendesse ele tinha se livrado de ficar olhando praquela pilha de livros todo santo dia!
       O tempo ia passando e nada do livro sair, quando o estudante botava o pé na porta da livraria os funcionários gritavam em coro “Lá vem o Dívidas por Dívidas”. Com o tempo ele desistiu de ir, mandava os colegas, mas as respostas eram sempre as mesmas. “Dívidas por Dívidas” era o maior encalho da história da casa, da última vez que perguntaram o gerente falou que só tava esperando o dono aparecer para devolver aquela merda.
      Um dia acordou com uma boa notícia, uma grande livraria da rua Chile tinha pegado fogo, era a do amigo do seu pai que tinha ficado com os 472 volumes do livro. Não tomou nem café, correu pro local do incêndio e quando viu que não tinha sobrado nada deixou correr uma lágrima de alegria pelo rosto, só assim pra ele vender aquilo! O dono da loja reconheceu o filho do amigo e ficou sensibilizado com a tristeza do rapaz por ter perdido os livros no incêndio, consolou o rapaz prometendo pagá-lo o mais rápido possível. O estudante saiu dali direto pro correio, ia telegrafar para o primo escritor dando a boa notícia que um único revendedor ficou com os 472livros. Foi pra casa aliviado, tinha resolvido um problema que tava lhe incomodando, toda semana o primo escrevia perguntando pela vendagem do livro. Agora era só esperar o pagamento e remeter para Santo Amaro.
       Ele ainda estava tomando café da manhã na cozinha quando vieram lhe avisar que o dono da livraria estava na sala à sua espera. Ficou todo contente, o homem teve pressa de pagar! Mal tinha engolido o café e saiu para receber o dinheiro tão esperado, mas quando chegou na sala quase morreu de desgosto, o livreiro tinha ido entregar os 472 volumes intactos de “Dívidas por Dívidas”, os únicos livros que milagrosamente escaparam do incêndio...
      Só depois de encontrar um exemplar de “Dívidas por Dívidas” com uma dedicatória feita em 1939 e saber de sua história é que vim entender porque aquele médico contador de causos nunca quis ser escritor.

sexta-feira, 29 de março de 2019

BIG BEN - CRÔNICA

A fé em Jesus move Montanhas!
BIG BEN

Você já assistiu o filme Milagres do Paraíso ? Caso você não tenha assistido, eis a sinopse: Trata-se de um filme onde uma menininha de nome,  Anna, começa, de repente, a sofrer de fortes dores crônicas na região do abdomem. Após muitos exames, é constatado que a garota possui uma doença rara e incurável que compromete, seriamente, a sua qualidade de vida.  A pobre meninha , durante um período de aproximadamente 3 anos, passa por uma série de processos médicos dolorosos. Sem contar que, muitas das vezes, ela não podia se  alimentar normalmente. Ao invés de comida, durante meses consecutivos, sobrevivia graças à uma mistura  de proteínas e nutrientes que era inserida para dentro do estômago através de uma sonda. Ao chegar aos 8 anos, ainda muito debilitada, Anna e suas irmãs decidiram brincar numa árvore gigante e centenária que havia no quintal da casa da família, e de repente, um galho quebra, levando Anna pra dentro do tronco da árvore. O tombo foi enorme, despencou por metros e sofreu uma batida na cabeça que deveria ter sido fatal. Sua família não esperava que a recuperação da garota fosse tão rápida — mas o que menos esperava era que, depois do grave incidente, sua doença crônica seria milagrosamente curada.

Na verdade, esse filme foi baseado na história real da Família Beam, que mora no Texas, Estados Unidos, ele relata um verdadeiro milagre. Milagre, para quem não sabe é qualquer fato que a ciência ou a lógica não conseguem explicar. E foi isso que aconteceu com a jovem Annabelle (Kylie Rogers). A menina, desde os cinco anos de idade começou a apresentar problemas no seu intestino e estômago, que simplesmente não funcionavam, fazendo com que dependesse de medicação constante para a dor crônica e também o uso de tubos auxiliares para digestão. Sua mãe, Christy (Jennifer Garner) resolve então procurar ajuda com o melhor especialista pediatra dos Estados Unidos, Dr. Nurko (Eugenio Derbe), precisando cruzar o país para as consultas e tratamento em Boston. Com as constantes viagens, o pai de Anna, Kevin (Martin Henderson) precisa trabalhar em turnos múltiplos, além de vender alguns bens para financiar as despesas médicas. A família é muito religiosa e frequenta uma Igreja Protestante, mas Christy começa a questionar sua fé, por não entender o porquê de sua filha sofrer tanto. Nem mesmo o reverendo Scott (John Carroll Lynch) consegue explicar para ela. Mas enquanto a mãe perde a fé, a menina nunca a perdeu e confia em Jesus. Até que uma outra tragédia assola a família e um novo milagre acontece. Após uma queda terrível e uma batida na cabeça considerada fatal, a menina inconsciente, durante o resgate das equipes de salvamento, visitou o Paraíso. Recebida pelo próprio Jesus, desfrutou da presença dele até ouvi-lo dizer que ela tinha de voltar para dar um testemunho de sua fé inabalável.

Quando a sua luz divina estiver se apagando e você se sentir cansado de vagar sem rumo, completamente nocauteado pelas intempéries da jornada, esperando apenas o apito final, as cortinas se fecharem, e o anjo da morte bater à sua porta e sacramentar o seu retorno à eternidade do amor, lembre-se: "A fé em Jesus move montanhas!"

quinta-feira, 21 de março de 2019

JEREMIAS MACÁRIO - CRÔNICA

ESTÁ TUDO DOMINADO. É BELEZA PURA!
Jeremias Macário
Como dizia o saudoso, místico e iluminado cantor e compositor baiano Raul Seixas, “nós não vamos pagar nada. A solução é alugar o Brasil. A Amazônia é o jardim do quintal. Este imóvel está pra alugar” Noutro verso, ele diz que o Brasil é charrete que perdeu o condutor, ou varrendo lixo pra debaixo do tapete que, supostamente, é festa para alegria do ladrão.
“O ponto de vista é o ponto da questão”. Mais uma dele, mas, assim como os poetas, todos nós temos o direito de sonhar e dizer o que pensa. Prefiro ser esta metamorfose ambulante... do que ter aquela opinião formada sobre tudo. A barca de Noé está partindo. Deus é brasileiro para trazer o progresso que não vejo aqui.
  São reflexões do poeta que não se foi, mas está tudo dominado. É beleza pura, e o povo está gostando desse “Brasil acima de tudo”, mesmo com as destrambelhadas e atabalhoadas de mistura de ditadura com democracia e liberdade. Só estamos começando a rezar, “uma  reza cumprida pra ver se o céu saberá”, como dizia Geraldo Vandré, o Boby Dylan do sertão.
Se você ainda não foi ao espelho, então vá. Nem todo mal, nem todo bem me dão o direito de ensinar. São coisas do poeta que recomenda que cada um tenha seu ponto de vista. Para a maioria que fez sua escolha e ainda está mal ou bem sobrevivendo, está tudo bem e assim deve ser. Vamos todos bater continência.
Que importam as trapalhadas e os prenúncios do autoritarismo, se o povo não dá mesmo valor para essa coisa de liberdade e democracia! O que conta é ter um dinheirinho no bolso, um carrinho na porta, fazer uma viagenzinha  nos feriadões e tomar umas geladas com os amigos. Liberdade de expressão é coisa para artista e intelectual.Aliás, ditadura só existe de esquerda, e a desgraça é invenção de esquerdista.
  Vamos entregar a Base de Alcântara para os norte-americanos e liberar a exigência do visto de entrada dos gringos. Afinal de contas, só temos o que ganhar com o atestado de inferioridade de cão vira-lata, e se eles mandarem, vamos invadir a Venezuela e fazer o trabalho sujo deles.
  Vamos libertar nosso vizinho porque aqui está tudo beleza, com hospitais e educação de primeiro mundo. Aqui não existem milhões de pobres como lá, nem epidemias, esgotos a céu abertos, matanças indiscriminadas, nem violência como lá. Temos aqui a democracia que as forças armadas nos dão, com sua generosidade. Está tudo dominado porque as castas do legislativo e do judiciário vão continuar com suas mordomias, A gente morre, a gente luta... e a nossa palavra é sim....
  Sem ódio e sem intolerância, o espetáculo vai continuar e temos que aplaudir os palhaços, os trapezistas e os homens motoqueiros do globo da morte. Quem disse aí que estamos regredindo? Esses são os espíritos de porcos que não sabem avaliar, nem aceitar que perderam.
  Está tudo beleza! A educação vai ser militarizada e não é preciso pensar. Quem pensa é jumento, ou não sabe amar a pátria. Estes devem ser excluídos. A coisa está tão boa que nem temos mais oposição. Agora é entrar na arena do partido único e deixar as minorias falando sozinhas, como nos ensina o capitão Bozó
  Reforma de previdência social não é para acabar com os privilégios de militar, de deputado, nem de juiz. É para acabar com os pobres mesmo que ainda vivem de teimosos Todo mundo já está calejado com isso e ninguém vai fazer revolução, nem berrar como bode.
   Como faz parte da lei natural do capitalismo, o rico vai ficar mais rico, e o pobre mais lascado. Faz parte do jogo, e quem reclamar é porque é chato mesmo e não vê que as coisas estão melhorando. Acorda Brasil! Está tudo dominado. É beleza pura! Temos carnaval de duas semanas, samba no pé, cachaça, praias lindas pra namorar e muita farra!

sábado, 9 de março de 2019

JEREMIAS MACÁRIO - CRÔNICA

A DEMOCRACIA E A LIBERDADE SÓ SE AS FORÇAS ARMADAS QUISEREM.
DEMOCRACIA NÃO É FAVOR DOS MILITARES AOS CIVIS
JEREMIAS MACÁRIO
Não existem equívocos nem dúvidas nas palavras destrambelhadas e autoritárias do capitão. Sem essa de que não foi bem assim e tentar disfarçar com outras interpretações fajutas de que não foi isso que quis dizer. Faz parte da estratégia inocular aos poucos e em doses homeopáticas a pílula dourada do medo, ou amarela, de uma doutrina de ufanismo nacionalista retrógradofascista. Existe um esquema silencioso e lento de repressão. Está difícil explicar e traduzir.
Existe uma plataforma obscurantista com o sonho de amordaçar e perfilar a sociedade brasileira nas fileiras militares de uma ordem e disciplina ao modelo deles, colocando a democracia e a liberdade na comissão de frente para impressionar os incautos. Sempre tenho dito que só estamos no começo introdutório da peça e vem muito mais coisa por aí.
  Há cinco ou seis anos ninguém acreditava que a marcha da extrema-direita iniciada com as intransigências e intolerâncias dos evangélicos e seus aliados conservadores chegaria ao poder. Agora ninguém teme que a liberdade de expressão esteja sendo minada porque temos as instituições do judiciário, do legislativo e da própria mídia mimada para defendê-la.
 Em pouco mais de dois meses do governo do capitão, comandado pelos nove ou dez generais, só ouvimos impropérios e estupidez dele, de seus filhos aloprados, de ministros e políticos que seguem a cartilha de levar o Brasil ao primitivismo. Ainda não saíram do palanque do ódio e do rancor contra as esquerdas e Lula que está preso em Curitiba. São apelações para a falta de argumentos, e olha que a oposição continua opaca e muda.

NANDO DA COSTA LIMA - CONTO


Fetichismo
NANDO DA COSTA LIMA
            Dr. Jesuíno Onoris Causa era um solteirão convicto. Um homem sistemático e, apesar de cortejado pelas mulheres, nunca quis abrir mão de sua liberdade. Formado em direito e muito conceituado em sua área, era um homem íntegro. Mas todo mundo tem um lado que ninguém gosta. Aquilo nem chegava a ser um defeito, o Dr. era solteiro e tinha todo o direito de ser namorador, mas o pessoal do contra achava o “dotô” muito machão. É claro que ele fazia jus, estava sempre trocando de namorada. Segundo os porteiros de xoxota, ele já tinha traçado a maioria das mulheres da cidade. Mas não era assim, o Dr. tinha suas preferências: mulher para ele tinha que ser fina, ou pelo menos formada em alguma coisa. Segundo o dotô, elas entendiam melhor os homens inteligentes e suas manias sexuais (taras). Ele gostava de um fetiche, só transava usando roupas íntimas de mulher: calcinha, sutiã e meia arrastão. Só funcionava assim! Sua preferida era da área de saúde… Dotôra Marineide Maristela também adorava um “sexo animal”, e ela só se satisfazia se tivesse uma “ceninha” antes do coito. Se vestia com uma roupa de couro, tipo “Mulher Gato”, só que incluiu na fantasia um chicote de couro e duas esporas. Só transava depois que cortava o parceiro no chicote e na espora. Era um ritual demorado e dolorido, a dotôra deixava as costas de Jesuíno em carne viva. Machucava tanto o coitado que eles, apesar de se entenderem maravilhosamente na cama, só podiam se encontrar de duas a três vezes por ano. O dotô saía do motel estrupiado. Essas demoras só faziam aumentar a tara do casal de amantes. Passavam uma tarde dando vazão à libido. Só que a dotôra, apesar de ser divorciada, tinha um ex-marido que não conseguia superar a separação. Era muito ciumento, daqueles cornos que acham que a mulher que dispensava ele tinha que morrer, não podia ser de mais ninguém. Ela tinha que ter jogo de cintura pra ter seus encontros e cortar o amante no chicote, o ex a marcava no corpo a corpo.
            Já tinha mais de seis meses que eles não se viam, no último encontro o dotô quebrou três costelas. Mas nesse tempo eles ficavam passando mensagens eróticas pelo “zap”, fazia parte do ritual. As mensagens apimentavam ainda mais o relacionamento. E foi num feriadão que Marineide tomou a iniciativa, tava doida pra pegar o dotô no jeito. Ela queria não só uma tarde, mas um fim de semana na beira do mar. Adorava aquele homem, era forte e gostava de apanhar… aquele sabia apreciar uma chicotada bem dada. Dessa vez o dotô caprichou, comprou pela internet um conjunto roxo com calcinha, sutiã, meia arrastão e uma sandália salto alto vinda do Rio, de uma loja que só vendia produtos para travestis. O dotô calçava 46! Quem visse aquele marmanjo de 1,90 trajado daquele jeito, logo se assustava. Aquele batom vermelho coberto por aquele bigodão aparado ficava esquisito. Se bem que a dotôra não era lá essas beldades, mas pra encarar aquilo, tinha que ter estômago, e ela tinha!
            E foi num chalé a beira mar que os dois se encontraram e acabou acontecendo um imprevisto que abalou o dotô, ele teve que mudar de estado! Marineide começou a chicotear o parceiro, quando de repente levou a mão ao peito e caiu desacordada. Dotô Onoris tentou de tudo pra acordá-la, mas nada deu certo. Quando sentiu que Marineide Maristela tinha abotoado o paletó, ligou para o SAMU tinha que se picar, não podia ficar ali em hipótese alguma!
 Dotô Onoris vestiu o terno rapidamente, não tirou nem a fantasia. Botou a roupa por cima e lembrou até da gravata. Tava pensando em se lançar como candidato na próxima eleição, se ficasse ali a imprensa lascava com ele, e também tinha aquele ex marido que matava e morria por Marineide. O dotô foi rápido, entrou no carro e se picou pra sua casa no interior. Já estava chegando quando resolveu entrar num bar pra comprar cigarros. Deu azar! Nesse exato momento estava acontecendo uma briga entre dois bêbados, um deles sacou a arma e deu três tiros. Um dos tiros acertou o dotô de raspão e ele desmaiou com o susto. Caiu como se tivesse sido atingido em cheio. Quando o pessoal do “deixa disso” percebeu que ele tava vivo, jogaram dentro de um táxi e levaram pro hospital. Dr. Onoris chegou lá desmaiado, o pessoal do plantão levou pra enfermaria e tirou o terno pra ele respirar melhor. Foi aí que lascou tudo. Quando o pessoal constatou que o dotô tava de calcinha, sutiã e meia arrastão, os funcionários do hospital fizeram fila pra ver aquela coisa exótica. Os médicos fizeram o curativo e nem tiraram a fantasia de Dr. Onoris. Diz ele que foi sacanagem da equipe, o pessoal fez fila pra fotografar, deixaram até o tamancão 46.
Na hora que acordou do mal súbito pensou que tinha sido ferido mortalmente. Quando viu como estava vestido, chegou a pensar que era melhor ter morrido. Uma equipe médica entrou no quarto e ele fez de conta que ainda estava desmaiado. Foi aí que um dos médicos fez um comentário já sorrindo: “Este travecão é aquele dotô tirado a machão, aquele que o pessoal fala que é homofóbico… Quem diria, todo mundo pensava que era o garanhão da cidade”. Foi o jeito permanecer de olho fechado e esperar que a equipe médica se retirasse. Assim que ficou só, vestiu o terno, pegou a chave do carro e se picou pra casa do pai lá no Rio de Janeiro. Nunca mais voltou pra cidade em que se destacou como um brilhante advogado. Sabia que não podia ficar, os médicos e as enfermeiras daquele hospital eram famosos pelo fuxico, o nome dele já devia estar na boca da cidade toda. Agora ele era o travecão que brigou com o “bofe” e acabou tomando um tiro de raspão. Toda roda de fuxico tinha uma versão diferente pro caso. Mas eram todas parecidas: o playboy da cidade, que se dizia machão e homofóbico, usava roupa de mulher por baixo do terno. E como todo mundo sabe, é a opinião pública que prevalece. Agora então, com esse negócio de rede social...

BIG BEN - CRÔNICA

A fé em Jesus move Montanhas!
BIG BEN
Você já assistiu o filme Milagres do Paraíso ? Caso você não tenha assistido, eis a sinopse: Trata-se de um filme onde uma menininha de nome,  Anna, começa, de repente, a sofrer de fortes dores crônicas na região do abdomem. Após muitos exames, é constatado que a garota possui uma doença rara e incurável, que compromete, seriamente, a sua qualidade de vida.  A pobre meninha , durante um período de, aproximadamente 3 anos, passa por uma série de processos médicos dolorosos. Sem contar que, muitas das vezes, ela não podia se  alimentar normalmente. Ao invés de comida, durante meses consecutivos, sobrevivia graças à uma mistura  de proteínas e nutrientes que era inserida para dentro do estômago através de uma sonda. Ao chegar aos 8 anos, ainda muito debilitada, Anna e suas irmãs decidiram brincar numa árvore gigante e centenária que havia no quintal da casa da família, e de repente, um galho quebra, levando Anna pra dentro do tronco da árvore. O tombo foi enorme, despencou por metros e sofreu uma batida na cabeça que deveria ter sido fatal. Sua família não esperava que a recuperação da garota fosse tão rápida — mas o que menos esperava era que, depois do grave incidente, sua doença crônica seria milagrosamente curada.

Na verdade, esse filme foi baseado na história real da Família Beam, que mora no Texas, Estados Unidos, ele relata um verdadeiro milagre. Milagre, para quem não sabe é qualquer fato que a ciência ou a lógica não conseguem explicar. E foi isso que aconteceu com a jovem Annabelle (Kylie Rogers). A menina, desde os cinco anos de idade começou a apresentar problemas no seu intestino e estômago, que simplesmente não funcionavam, fazendo com que dependesse de medicação constante para a dor crônica e também o uso de tubos auxiliares para digestão. Sua mãe, Christy (Jennifer Garner) resolve então procurar ajuda com o melhor especialista pediatra dos Estados Unidos, Dr. Nurko (Eugenio Derbe), precisando cruzar o país para as consultas e tratamento em Boston. Com as constantes viagens, o pai de Anna, Kevin (Martin Henderson) precisa trabalhar em turnos múltiplos, além de vender alguns bens para financiar as despesas médicas. A família é muito religiosa e frequenta uma Igreja Protestante, mas Christy começa a questionar sua fé, por não entender o porquê de sua filha sofrer tanto. Nem mesmo o reverendo Scott (John Carroll Lynch) consegue explicar para ela. Mas enquanto a mãe perde a fé, a menina nunca a perdeu e confia em Jesus. Até que uma outra tragédia assola a família e um novo milagre acontece. Após uma queda terrível e uma batida na cabeça considerada fatal, a menina inconsciente, durante o resgate das equipes de salvamento, visitou o Paraíso. Recebida pelo próprio Jesus, desfrutou da presença dele até ouvi-lo dizer que ela tinha de voltar para dar um testemunho de sua fé inabalável.

Quando a sua luz divina estiver se apagando e você se sentir cansado de vagar sem rumo, completamente nocauteado pelas intempéries da jornada, esperando apenas o apito final, as cortinas se fecharem, e o anjo da morte bater à sua porta e sacramentar o seu retorno à eternidade do amor, lembre-se: "A fé em Jesus move montanhas!"

quinta-feira, 7 de março de 2019

RICARDO DE BENEDICTIS - CRÔNICA

DEPUTADOS FEDERAIS NÃO QUEREM TRABALHAR
Ricardo De Benedictis
É bom o povo ficar atento. Os deputados federais, na maioria, não querem trabalhar. Partidos ameaçam não indicar membros para formação da CCJ – Comissão de Constituição e Justiça, a principal Comissão da Câmara Federal, caso suas emendas não sejam liberadas pelo governo.
Sem dúvidas, estamos diante de uma chantagem explícita daqueles que foram eleitos e reeleitos, tomaram posse, recebem grandes salários, auxílios de toda a ordem e ainda tripudiam da Nação Brasileira de uma forma que nos envergonha e enoja, enquanto milhões de desempregados aguardam sua boa vontade de começarem o trabalho de legislar, para cuja função foram eleitos.
A que ponto chegamos!
Ou o governo federal loteia os cargos públicos e libera dinheiro das emendas nos Estados ou os chantagistas não voltam. Capitaneados pelo PR de Waldemar Costa Neto, que deveria estar preso, mas a leniência da Justiça lhe acoberta, além dos partidos ditos de esquerda, como sempre, insensíveis com o sofrimento da população.
Uma solução tem que ser dada a este estado de coisas, a tanta falta de vergonha desta classe política que deve ser alijada da vida do país, sob pena de nos aniquilar a todos.
Os noticiários dão conta diariamente de corrupções e corrupções praticadas por políticos malditos e o povo queda perplexo, recebendo cortinas de fumaça do Carnaval e de outros eventos que enchem o Brasil de motivos para esquecer a vida real que temos de levar.
O desemprego e a falta de tudo bate à nossa porta e ficamos impossibilitados de dar um basta nisso tudo.
Eles falam em Democracia, mas se articulam para inviabilizá-la.
Não querem trabalhar. Só pensam em seus próprios interesses e a população que se dane.
Até quando? Ninguém sabe!

sábado, 2 de março de 2019

NANDO DA COSTA LIMA - CONTO


Atravessando o Xaxado
Nando da Costa Lima 
            Antônio estava sem saber o que fazer, tava pra furar o chão da sala de tanto andar em volta da mesa. Nem comeu de tão nervoso, sabia da necessidade de dar um basta naquela situação. Tinha que marcar um encontro com o capitão de qualquer jeito pra pôr fim naquela conversa que já tava virando fuxico. A sorte de Antônio foi que seu Albano, um senhor respeitado por todos e muito amigo dele, chegou na hora que ele ia cometer a asneira de querer falar com o “home” pessoalmente. Seu Albano Pimpão chegou a tempo, foi um anjo da guarda que mandou.

— Nessas horas tem que ter calma, Antônio. Se você ficar forçando a barra pra falar com o capitão, só vai piorar as coisas. Nós dois sabemos que o “home” quando fica retado é uma cancela aberta de ladeira abaixo. A melhor maneira de acalmar a fera é escrever uma carta colocando os pingos nos “is”. Eu me encarrego de entregar a carta pessoalmente.
— O senhor acha que uma carta vai resolver, seu Albanio? Eu não posso perder essa oportunidade…
— Claro que vai! Você deu foi sorte, eu nem ia passar por aqui. Resolvi de uma hora pra outra, parece que eu tava adivinhando que você ia fazer alguma besteira. Você é muito esquentado, nunca para pra pensar. Eu sei que é coisa de gente jovem, mas vamos maneirar…
— É verdade, eu dei sorte. Já estava saindo à procura do capitão… Ia acabar passando vergonha em público. Obrigado mais uma vez, seu Albano. O senhor me salvou, eu ia estragar tudo.
— Não tem necessidade de tanto agradecimento, somos amigos! Escreve logo essa carta, amanhã cedo eu passo aqui pra pegar e já levo direto pro capitão. Assim vai dar tudo certo, você sabe que eu e o “home” somos quase irmãos, nossa amizade tem mais de vinte anos. Deixa comigo!
           
            No outro dia, como foi combinado, Albano Pimpão passou na casa do amigo pra pegar a bendita carta e levar pro capitão. Jurou pro amigo que só voltava com uma resposta. Antônio, vendo o empenho do amigo, resolveu ler a correspondência em voz alta pra ver se estava tudo certo:

“Meu caríssimo capitão, antes de mais nada, peço a sua benção. O motivo desta carta é saber qual a razão de o senhor ter ficado tão nervoso, mesmo sem saber do que se tratava. Eu tenho certeza de que estou errado, meu capitão, o senhor é o homem mais direito que já conheci. O senhor sabe que tem muita gente querendo interferir na nossa amizade, eles viram que o senhor gostou do meu jeito de agir e ficaram com inveja, meu capitão. Se tem uma pessoa que eu gosto nesse mundo é o senhor, meu capitão…”.
            Foram mais de dez páginas pedindo desculpas e elogiando o capitão. Toda frase da carta ou começava ou terminava com “capitão”. Era uma rasgação de seda que não tinha fim, cansava. Narrou todo seu relacionamento com o “home” mesmo antes de ele ficar famosos, e insistiu em deixar claro que detestava fuxico e mentiras, e blá blá blá… Albano Pimpão cochilou com aquele prosa ruim lendo aquela chatice. E o sacana ainda era meio gago, era foda! “Ca-ca-capitão”. Teve que falar que tinha pressa pra entregar a missiva e resolver aquele pequeno desentendimento. Mandou Antônio lacrar a carta, colocou no bolso do paletó e saiu quase que correndo, tava com pressa mesmo! Tinha que evitar que o amigo saísse daquele grupo. Antônio tinha cara de menino chorão, mas era um parceiro de fé, o capitão podia dar crédito! Até no tempo das “vacas magras” ele já era amigo. Pimpão rodou muito até encontrar o “home”, foi pra mais de vinte léguas. Mas promessa pra ele era coisa séria, e tinha prometido que entregaria a carta pessoalmente: era da mão dele para a do capitão.
            Já estava cansado de procurar, não tinha mais lugar pra ir. Por sorte, na hora que ele resolveu parar pra descansar, ele encontrou o pessoal todo. Tava tão afoito que nem cumprimentou os presentes, meteu a mão no bolso e entregou a correspondência. O capitão abriu e leu umas duas páginas, sacudiu a cabeça negativamente e pediu caneta e papel pra aproveitar e responder a carta. Seu Albano se incumbiu de levar a resposta como já se esperava. A resposta foi um bilhete curto e grosso:

“Prezado aspirante a cangaceiro, Antônio ‘Duas Voltas’. Quando eu vi você dançando Xaxado sem eu ter dado ordem pra dançar, eu senti que você é um atravessador que não respeita ninguém e bebe o ano inteiro. Se assunte! Cabra de sua marca não pode fazer parte do meu bando”, e assinou: “Capitão Virgulino Ferreira, vulgo Lampião”.
Albano Pimpão voltou desolado, o capitão também leu o bilhete pra ele antes de colocar no envelope. Como não queria desencorajar o amigo Antônio, que estava esperando a resposta, Albano teve que inventar uma história. Não queria magoar o amigo! Disse que o capitão Virgulino estava cercado por uma volante e ele não teve como entregar o bilhete. Antônio “Duas Voltas” sentiu que o amigo só estava botando panos quentes pra evitar o atrito. Se sentiu muito humilhado, ficou tão retado que entrou pra volante do tenente Bezerra.
Ele agora estava do outro lado. Cabo Antônio tava pronto pra se vingar dos cangaceiros… E a caatinga mais uma vez pegou fogo.

sexta-feira, 1 de março de 2019

RICARDO DE BENEDICTIS - CRÔNICA

AJUDA HUMANITÁRIA À VENEZUELA
Ricardo De Benedictis
  
Partidos tradicionais da esquerdopatia que aniquilou o Brasil e que nos leva a uma recessão histórica, da qual não sabemos quando vamos sair, assinaram mais um documento de apoio ao ditador Nicolás Maduro, da Venezuela. Além disso, seus membros fazem discursos inflamados da tribuna da Câmara dos Deputados que transformaram em covil.
Para eles, Lula é preso político, Dirceu é um santo, e por aí eles vão cantando uma ladainha que o povo já reprovou nas urnas, apesar de não totalmente, principalmente na nossa Bahia. E já dizia um dos luminares da nossa política, ex-governador Octavio Mangabeira “Existe um absurdo? Na Bahia há precedentes”. Dito isto, vamos aos fatos.
A ditadura de Maduro contratou 20 mil cubanos e mantém o Exército do país vizinho como refém. Só isso daria para várias conjecturas. A “Força Nacional Venezuelana” atira para matar contra o povo e faz 25 vítimas fatais na cidade mais próxima da fronteira com o Brasil, Santa Helena de Uaren ou Uiaren, cujo prefeito fez declaração nas Redes sociais pedindo ajuda internacional. Dos mais de 80 feridos do massacre, boa parte foi levado para Pacaraima, em território brasileiro, já que no hospital de lá não tem esparadrapo, gaze e papel higiênico. Mais mortes ocorreram na fronteira da Colômbia. E todas estas fronteiras foram fechadas pelo ditador enlouquecido, cujos auxiliares são traficantes internacionais de drogas e armas, e cujas Forças Armadas são comandadas por Cuba e Rússia. Esta é a real situação.
Sabemos que isso não vai terminar bem e que sofreremos conseqüências graves se uma guerra civil eclodir por lá. Temos que aguardar, pois estamos em um dilema. Não devemos interferir, mas teremos que assistir de camarote a escalada de desgraça que assola o país vizinho, cujo povo quer fugir e está sendo impedido.
O Brasil, através dos governos Lula e Dilma, mandaram nosso dinheiro, mais de 100 bilhões de reais para enriquecer Chávez e Maduro. Tudo isso com dinheiro dos nossos impostos, usando o BNDES. Eles nos deram calote e nós estamos pagando altos juros dos empréstimos que nossos governantes irresponsáveis lhes fizeram, quem sabe, para levar vantagens financeiras.
Vejam no que deu.
E que isso nos sirva de exemplo.